A bronca que o jornalista da Agência de Notícias “Lusa” provocou nas relações institucionais-profissionais com a Presidente do Município de Coimbra impulsiona-me a analisar, com outra profundidade e dinâmica, toda a situação.
O jornalista João Gaspar – e bem – solicitou aos serviços dessa Câmara um esclarecimento sobre o assunto já conhecido.
Vamos escalpelizar o que vem acontecendo neste e noutros casos.
Primeiro: os jornalistas, na sua maioria, quando pedem informações e/ou esclarecimentos sobre as mais variadas matérias, dirigindo as respectivas solicitações a departamentos do Estado, a Órgãos do Poder Local e ao próprio Governo é raro obterem respostas. Todos se fecham em copas porque das duas uma: ou querem abafar o tema ou não têm nada para dizer porque o assunto não se encontra estudado ou devidamente fundamentado ou nem sequer os técnicos se debruçaram sobre o mesmo.
Segundo: o jornalista da Agência Lusa cumpriu com os seus principais deveres profissionais e não se deixou intimidar e, também, não foi na cantiga de aguardar, aguardar…para ficar sem nada nas mãos.
Terceiro e grave: o jornalista João Gaspar, que serve a “Lusa”, ao contrário do que acontece com a grande maioria dos seus colegas de quase 100 % dos órgãos de comunicação social, não depende de publicidade emanada desses departamentos do Estado, de Municípios, de Juntas de Freguesia e do Governo. A “Lusa” tem, e da parte do Poder Central, verbas para funcionar, aliás, nem tem publicidade associada.
Posto isto, dizer que, por estes tempos e neste País em que os eleitos-políticos não gostam de ser escrutinados, os órgãos de comunicação social evitam levantar ondas ou dão “ordens”, isto é, indicações para que os seus jornalistas não se envolvam em polémicas ou levantem questões pertinentes. Assim, com essa passiva atitude, os jornais e as rádios locais ou nacionais continuam a levar com centenas senão milhares de euros de publicidade/ano (alguns mais beneficiados do que outros, basta portarem-se bem…).
O João Gaspar, por estar liberto dessa canga, que domestica os órgãos de comunicação social, a maioria sem imparcialidade e isenção – são vozes dos donos – fez o seu trabalho, da forma como todos o deviam fazer… Ontem era a censura, mas sabíamos que prevalecia. Hoje existe, mas está encapotada…uma democracia deste tipo, além de viciada, está condenada a não florir.
Texto de: António Barreiros – Jornalista
PUBLICIDADE























Comentários sobre o post