O Município de Vila Verde deu “luz verde” à Carta Social 2026-2030, um documento estratégico que define as prioridades para a rede de serviços e equipamentos sociais do concelho nos próximos anos. O plano foca-se na adaptação ao recente aumento da população, impulsionado pela imigração, sem descurar o desafio estrutural do envelhecimento demográfico e a pressão sobre as respostas para a terceira idade.
O Conselho Local de Ação Social (CLAS), liderado pela presidente da Câmara Municipal, Júlia Rodrigues Fernandes, aprovou recentemente a Carta Social 2026-2030. Elaborado pela Equipa Radar Social em parceria com a Rede Social e instituições locais, o documento serve como um guia rigoroso para o planeamento do território, baseando-se num diagnóstico de proximidade que reflete um concelho em profunda transformação demográfica.
Após uma quebra populacional de 3,02% na última década (2011-2021), Vila Verde inverteu a tendência. Estimativas de 2024 apontam para um total de 48.150 residentes, um crescimento em grande parte alavancado pela população migrante. No entanto, o retrato social é complexo: o índice de envelhecimento é elevado, registando-se 174 idosos por cada 100 jovens, o que exige uma reorganização dos serviços públicos.
No setor da infância, Vila Verde posiciona-se como uma referência regional. Em 2023, a taxa de cobertura de creches atingiu os 57,8%, valor que supera a média nacional (52,2%). Atualmente, o concelho dispõe de uma rede sólida de 96 equipamentos distribuídos por 30 freguesias, garantindo uma resposta eficaz às famílias com crianças.
Se na infância os números são positivos, no apoio aos idosos e pessoas com deficiência a pressão é evidente. As Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) e os Centros de Atividades e Capacitação para a Inclusão (CACI) operam com taxas de ocupação superiores a 90%, resultando em listas de espera frequentes.
A Carta Social identifica a necessidade urgente de novos investimentos nestas áreas até 2030, apontando ainda o isolamento social e o aumento do custo de vida como fatores de risco. O preço mediano da habitação no concelho fixou-se nos 1.381€/m², agravando a vulnerabilidade de diversos agregados familiares.
Para responder a estes desafios, o plano estratégico delineia soluções inovadoras, tais como:
Implementação de unidades móveis de proximidade para servir freguesias isoladas;
Criação de soluções de habitação colaborativa para seniores;
Aceleração da transição digital das instituições sociais locais.
Com este documento, Vila Verde reafirma o compromisso de preparar o território para a próxima década, focando-se numa visão integrada que une a inovação social à dignidade de todos os seus cidadãos.
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