Hoje, Dia do Pai, apetece-me sair do figurino usual, ou seja, não me confinar ao meu, de tantas vezes falar dele.
Se me permitem, gostava de abordar o Pai que o filho nunca conheceu por variadas circunstâncias. Vicissitudes de vida nunca permitiram a este ou àquele filho saber quem era o seu Pai. Uns não se responsabilizaram por terem sido uma das brasas para o nascimento de uma vida nova; outros, fugiram na ânsia de não contribuírem para a sua educação; mais outros, mergulharam-se em vícios, como o álcool e as drogas, para – dizem – esquecer as suas facetas menos boas… e tantos que deixaram, para atrás das suas costas, o arco caminhante dos souberam moldar? Muitos.
Esses pais, apesar das suas falhas, todas elas humanas; dos equívocos do seu trilho pessoal; dos diversos desacertos cometidos…confinaram-se nos erros. Diz o povo: errar é próprio do homem.
Àqueles Pais, cuja personalidade mal moldada apresentei acima, também se atiram pedras, principalmente os filhos que se julgam senhores e os mais perfeitos do Mundo, como se isso fosse possível. Apetecia-me dirigir a esses filhos, os que crucificaram os pais que desconheceram ou, apenas, que olharam para eles poucas vezes, com desdém, para lhes pedir, com fervor, para se olharem ao espelho.
Hoje, presto homenagem a esses Pais. Foram-no, mas não se assumiram, não conseguiram sê-lo…esconderam-se, refugiando-se nos seus vícios dependentes, nas suas masmorras, nos seus espaços e nas suas redomas, fugindo de se mostrarem, de darem a cara e de se apresentarem despidos e rançosos de convulsões pessoais, humanas, sociais e espirituais.
Há Pais que, por mais que tentem e se digam predispostos a mudar, não têm coragem para o fazer e acomodam-se nesse seu refúgio de lamentações que, aqui e ali, são sacrificantes. Eles aguçam-se de medos de diversa ordem. Há os que, por desfiguração mental ou corporal, se arrecadam por aí fora. Longe da vista, longe do coração… Longe não derretem os dos seus filhos. Sei que há quem saiba perdoar. Mas sei, também, que há muitos filhos que não têm essa capacidade de se libertarem do ressentimento e da raiva que o dano dos seus Pais lhes provocou. Para isso, é preciso ter compaixão e saber reconciliar-se. Valor a todos os Pais, mesmo aos que perderam e deixaram de aparecer. Onde estejas, Pai deste ou daquele filho deste cenário, que sejas louvado e estimado.
Texto de: António Barreiros
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