Encontro do projeto “AQUI HÁ CULTURA!” reuniu leitores na Biblioteca Professor Machado Vilela para conhecer a obra do escritor e debater o futuro da leitura
O escritor Rui Couceiro esteve em Vila Verde na passada sexta-feira, 9 de outubro, como convidado de destaque de mais uma sessão da iniciativa “AQUI HÁ CULTURA!”, promovida em parceria pela Escola Profissional Amar Terra Verde (EPATV) e pelo Município local. O serão literário decorreu na Biblioteca Professor Machado Vilela e teve como propósito central a apresentação da produção literária do autor, reunindo cerca de quatro dezenas de participantes.
A sessão foi aberta por Manuela Barreto Nunes e desenvolveu-se em formato de conversa moderada por Arnaldo Varela de Sousa. Perante uma plateia atenta e participativa, o autor portuense — que confessou ter acalentado outrora sonhos de alpinismo antes de se afirmar como jornalista e editor — partilhou o seu percurso criativo e apresentou as três publicações que marcam a sua carreira: os romances de ficção Baiôa sem data para morrer (galardoado com o Prémio Literário Manuel Boaventura) e Morro da Pena Ventosa, a par da coletânea de narrativas reais A mais bela maldição.
Durante a tertúlia, Rui Couceiro destacou as motivações que orientam a sua escrita: «Interessa-me tocar em temas como amizade, amor ou morte. São os grandes pilares da grande literatura», vincou, sublinhando que apenas escreve sobre assuntos que verdadeiramente o movem. Embora integradas no campo da ficção, as suas obras abordam fraturas da realidade portuguesa contemporânea, tais como a desertificação do interior e a gentrificação dos centros urbanos. O autor destacou ainda os desafios do processo criativo, desde a maturação de seis anos exigida pelo seu primeiro romance até à construção da perspetiva feminina que protagonizou em Morro da Pena Ventosa.
O debate alargou-se também ao panorama dos hábitos de leitura em Portugal e ao impacto das novas tecnologias no comportamento das gerações mais jovens. Confrontando o declínio dos tempos de atenção das crianças e os riscos associados ao avanço desregulado da Inteligência Artificial — fenómeno que classificou sem rodeios como «o suicídio humano» —, o escritor rejeitou, contudo, o fatalismo absoluto quanto ao fim do livro:
«Na arte o que interessa é o processo. Tenho interesse em histórias de gente que viveu para as suas obras.»
Assumindo-se como um «pessimista na análise e otimista na ação», Rui Couceiro encerrou a sessão reafirmando o seu compromisso com narrativas profundas e personagens de forte densidade humana, em contraponto com a voracidade e o imediatismo do consumo contemporâneo.
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