Não me surpreende o facto de o Município de Famalicão ter trazido a público um jornal, travestido de revista camarária. Percebi, durante os 3,5 anos que exerci o cargo de Chefe de Redacção do “Famalicão Canal”, que alguns responsáveis dessa autarquia não se dão bem com críticas da comunicação social local.
Portanto, nada melhor que tentar silenciar jornais, rádios e TV´s digitais, através de vários métodos. Um já está em vigor faz uns anos: dão-se milhares de euros a grupos de comunicação social, do leque dos amigos, para os ter n a mão…controlar. Comprados por uma fatia dos impostos que os famalicenses desembolsam, esses Órgãos de Comunicação Social são uma peça na engrenagem do Poder Local. Eles estão açaimados, remetendo-se aos silêncios.
Acaba de ser inaugurada uma nova era com a entrega gratuita de mais de 60 mil exemplares do jornal municipal com periocidade bi-mestral e 26 páginas. Mais: com publicidade de empresas concelhias, a que não cai nos jornais, nas rádios e nas TV´s digitais que se esganam e se esvaem, em missão, para levar a notícia, para produzir conteúdos com sumo e para denunciar o que pode prejudicar a vida dos cidadãos ou do tecido produtivo. Não fico surpreendido por o Presidente da Câmara ser o Director. Pasmo é que, a esse autarca, a ERC não exija o que está plasmado na lei. E passo a dar nota: A nomeação do diretor de uma publicação periódica em Portugal requer, perante a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), o preenchimento de requisitos legais específicos, incluindo a detenção de carteira profissional de jornalista activa e o registo formal da alteração.
Ora, o que se sabe, é que o sr. Mário Passos não é jornalista nem detentor do respectivo título profissional. Também não o era o anterior responsável pelo Gabinete de Comunicação e Imagem do Município, assim como todos quantos trabalham no mesmo. Aliás, é incompatível desempenhar cargo autárquico ou político com a carreira e com a carteira de jornalista.
Mas, infelizmente, em Portugal, o que é lei para uns é, para outros, letra morta…
Esta machadada na maioria da comunicação social local e regional de Famalicão, em jeito de bem urdida e jogada de mestria do “sheriffado” autárquico, já provocou insatisfação de colegas e, também, de partidos da oposição que vieram a terreiro deixar a sua opinião livre e propositada. Saúdo essas palavras.
Esta peregrina ideia tem de ser arremedada por a identificar como uma facada grotesca e malévola nas costas de todos quantos têm, como ganha pão, servir, com espírito de missão, o jornalismo. Num Estado de Direito, o tal que os políticos tanto gostam de apregoar e de invocar, é inadmissível este atrevimento de se esganar a já difícil situação de vida da Comunicação Social Local e Regional.
Texto: António Barreiros – Jornalista
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