Juntaram-se os amigos da televisão de Carnaxide, a SIC, outros que gravitam em Lisboa e mais uns outros, para entregarem os Globos de Ouro da estação.
Prémio para este e para aquela, nos diversos domínios, do teatro à música, passando pelo humor e espectáculo, até à televisão e cinema. Faltou a moda que ficou esquecida num recanto de menoridade…
O País está confinado a Lisboa. Só lá é que reside a nata de todas essas representatividades humanas, de vida e de palco.
Que raio de País é este – e tão pequenino, mas em tudo – que só olha para a Capital? O País real, para essa gente do “jet oito” de Lisboa, não conhece outras celebridades que vivem no esconderijo de qualquer aldeia de Trás-os-Montes, da Beira Alta, do Alentejo, dos Açores ou da Madeira?
Em Lisboa passeiam-se alguns globos de latão…que se armam ao fino e se exibem, falando deles, dos filhos, das famílias, dos cães, dos gatos e do que têm ou deixam de ter.
Vivem numa redoma, só deles e delas… pensam que Portugal é esse recanto e um confinado território de celebridades.
Conheço muitos que mereciam distinção, mas essa gentinha de Lisboa, os queques, não lhe passam cartucho: o Paulo, o de Coimbra, o expoente máximo da guitarra portuguesa, que se assemelha ao Carlos Paredes; o Rui Rosinha, dos Voluntários da Castanheira de Pêra, que sofreu ferimentos graves no cumprimento do seu dever de bombeiro; os actores Eduardo Correia (Teatro Regional da Serra de Montemuro) e Rui Madeira (Companhia de Teatro de Braga); e mais tantos outros.
As televisões, as de Lisboa, não passam cartucho à Província…não mostram rostos, não levantam temas que afligem as populações do País real. Só quando acontece uma tragédia é que aparecem, em força, para explorar as lágrimas, as desgraças e a tristeza. Há gente, da nossa, que ainda as vêem. Por mim, já não as capto, faz mais de uns 5 anos. Não as identifico comigo. Passarem bem. Continuem a entregar “globos” disto e daquilo entre amigos…é um bom exercício de egocentrismo e de vaidades.
António Barreiros
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