A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) lançou, esta quarta-feira, dois documentos estratégicos que analisam a longevidade laboral à luz da evidência científica. O organismo avisa que o simples adiamento da idade da reforma, sem mudanças nas organizações e nas políticas públicas, pode comprometer a saúde e a sustentabilidade social, em vez de as promover.
Os dados apresentados pela OPP revelam um cenário preocupante no tecido empresarial português: 73% das organizações não auscultam os trabalhadores sobre as suas necessidades de longevidade e apenas 17% oferecem apoio na transição para a reforma. Segundo a Ordem, trabalhar mais anos só é produtivo e digno quando existe um equilíbrio entre as capacidades do indivíduo e as exigências das tarefas, refere uma comunicado.
A evidência científica demonstra que a permanência no mercado de trabalho é mais bem-sucedida quando é voluntária e acompanhada por autonomia, valorização e oportunidades de mentoria. Para contrariar as lacunas atuais, a OPP propõe cinco eixos de intervenção:
Saúde ao longo da vida: Investimento em saúde ocupacional e adaptação ergonómica.
Incentivos às empresas: Benefícios fiscais (como redução da TSU) para quem mantém trabalhadores com mais de 65 anos.
Combate a desigualdades: Proteção específica para profissões de elevado desgaste físico ou psicológico.
Flexibilidade: Criação de regimes de reforma parcial ou “empregos de ponte” que permitam uma saída gradual.
Psicólogos no Trabalho: Obrigatoriedade de psicólogos em empresas com mais de 250 trabalhadores para gerir riscos psicossociais e carreiras.
O objetivo central é garantir que, em 2026 — ano em que a idade da reforma se fixa nos 66 anos e 9 meses —, os portugueses possam trabalhar por opção e com saúde, e não apenas por imposição administrativa.
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