Alinha-se, por esta ocasião próxima das eleições presidenciais, uma questão legítima e, também, de elevação cívica.
Algumas figuras do espectro político e outras quantas figuraças do regime passado e presente, tendem ou procuram vir a terreiro, para manipular e impressionar os portugueses sobre a sua intenção de voto.
Diz o Manuel (não tem correspondência com nenhum ex-governante) que vai votar no 1.o dos boletins. Refere o Francisco (também sem essa correspondência, no domínio dos partidos) que coloca a cruz no 2.o dessa lista que se manifesta nas urnas, as que vão ser entregues aos votantes, no próximo dia 8.
Antes de apresentar ao que venho, permitam-me tecer uma opinião: o voto é Secreto, portanto, existe o chamado Sigilo do Voto. Trata-se da garantia de que apenas o votante saberá qual foi a candidatura que escolheu naquele processo eleitoral. Essa, sem dúvida, é a forma de evitar pressão sobre os eleitores e, ainda, de se evitar a coacção, garantindo que o voto expresso revela, realmente, a vontade do eleitor. A Constituição o que diz?
Ora, e em razão do que acabo de escrever, assiste-me, e legitimamente, deixar perguntas: – qual é a intenção de ex-governantes, políticos e figuras gradas da Nação indicarem o seu sentido de voto? – será legítimo, legal e pelo menos moral revelar que “vou votar no fulano de tal…”? – a democracia, a tal que deve funcionar com base na cidadania, precisa dessa carrada de gente – os chamados “notáveis” ou os mais emblemáticos do regime – para nos virem dizer em quem votam para condicionar ou nos levar a “botar” a cruzinha no candidato A ou B?
Não aprecio uma democracia que tem de ir buscar essa gentinha toda para nos vir dizer qual é o seu sentido de voto, indicando-nos, de forma sub-reptícia, a cada um de nós, que devemos seguir o seu conselho.
Por mim, até porque gosto muito da minha independência, dispenso que o venham manifestar publicamente. Guardem lá a sua preferência e o seu sentido de voto…
A democracia acaba por se estragar, por se baralhar, por se inquinar e por deixar de parecer séria com esta passadeira de modelos da política que tentam viciar resultados, querendo pensar por cada um de nós e parecendo que querem inscrever, no boletim de voto, o que eles vão dissertando a favor deste ou daquele. Penso que, a maioria de nós, já não precisa de tutores para votar.
Texto: António Barreiros
PUBLICIDADE























Comentários sobre o post