Com 87 anos, Maricarmen Abascal, foi expulsa da casa em que vivia, em Madrid, já ia para sete décadas, tornando-se – sem sombra para qualquer dúvida – o exemplo dramático e o símbolo do resultado da gentrificação e da especulação imobiliária.
Ela vivia num apartamento de 92 m2, no Bairro nobre do Retiro na capital espanhola, desde 1956. A habitação, com uma renda antiga, mas já de 500 euros, foi adquirida por uma emrpesa imobiliária, um fundo de investimentos.
Essa empresa, e para se ver livre dela, como quem descarta um papel enxovalhado e besuntado, exigiu-lhe um aumento brutal do arrendamento mensal, com valores entre os 1.650 e os 2.605 euros…
Depois de alguns anos de litígio judicial, chegou a ordem de despejo. Centenas de activistas opuseram-se, mas a idosa, com 50% de incapacidade, foi retirada de maca/cadeira.
Temos aqui, pelo menos, dois cenários, aliás, como tem acontecido, também por cá, nas grandes cidades: desalojamento dos residentes vulneráveis e destruição do tecido social. Basta olhar para as chamadas baixas das nossas cidades.
Existem, por parte dos governos, algumas protecções: para quem tem mais de 65 anos ou com grau de incapacidade igual ou superior a 60%; programas de habitação pública (a funcionar mal); subsídios de apoios à renda; e reabilitação de fogos.
Mas que medidas travão para as empresas imobiliárias que varrem esses antigos inquilinos que, para além do apego à casa que lhes guarda memórias não têm reformas que lhes permitam satisfazer os apetites dos “grandes” e novos senhorios que, de um dia para o outro, querem ganhar o que investiram, numa espiral de uma política não só especulativa mas, também, sem regras?
Os governos, em que os cidadãos votam e os que devem administrar os nossos impostos, será que legislam para proteger os mais indefesos e os que são tratados como objectos?
Os socialistas e os social-democratas, os que têm estado no poder, não promovem políticas habitacionais e de protecção dos residentes mais idosos dos corações urbanos…porque não sabem cuidar de quem contribuiu, com o seu esforço, trabalho e dedicação para o dinamismo e desenvolvimento do País. Para esses políticos e governantes já dei…afinal para todos, porque não me revejo em nenhuma das suas ideias e projectos. Fiquem bem, mesmo dormindo com a consciência pesada…
António Barreiros
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