Encontro reune especialistas no Centro de Estudos Camilianos, em Famalicão, com foco na partilha de protocolos clínicos, testemunhos na primeira pessoa e no impacto emocional nos profissionais de saúde.
O Centro de Estudos Camilianos, em Seide, acolhe esta quinta-feira, dia 15, as I Jornadas do Luto Perinatal da Unidade Local de Saúde do Médio Ave (ULSMave). A iniciativa, que decorre entre as 9h00 e as 19h00, mobiliza profissionais de saúde, investigadores e a comunidade em torno de um objetivo comum: consolidar uma abordagem multidisciplinar, qualificada e sensível no acompanhamento a famílias confrontadas com a perda gestacional e neonatal. O evento conta igualmente com transmissão em direto através das redes sociais e do Famalicão Canal.
A sessão inaugural ficará marcada pela apresentação do projeto «Amor de Borboleta», grupo multidisciplinar da ULSMave que esteve na génese da organização do encontro. Segundo a médica especialista em Ginecologia e Obstetrícia Saritta Nápoles, cofundadora do projeto, a missão passa por «olhar para o luto perinatal não apenas como um acontecimento clínico, mas como uma experiência profundamente humana». O programa integra a intervenção institucional de Luís Vales, Presidente do Conselho de Administração da ULSMave, bem como de diretores de serviço e representantes autárquicos e ordens profissionais, assinalando a acreditação oficial do evento pela Ordem dos Psicólogos Portugueses.
Ao longo do dia, as mesas temáticas cruzarão a prática clínica com a dimensão ética e relacional. O período da manhã destaca os cuidados paliativos perinatais pediátricos e as boas práticas de enfermagem na transição hospitalar, com a apresentação formal de um protocolo interno de atuação clínica. À tarde, o programa abre espaço a testemunhos na primeira pessoa — incluindo perspetivas sobre o luto parental masculino —, reflexões sobre interrupção médica da gravidez e direitos parentais, culminando na análise do sofrimento ético e emocional que recai sobre as equipas de saúde quando um bebé nasce sem vida. As jornadas encerram com a apresentação de comunicações científicas e um momento simbólico de homenagem à memória dos vínculos familiares.
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