Nem o mau tempo, que assolou o concelho de Famalicão, travou os devotos de Santo Amaro em Arnoso Santa Eulália no dia 15. Entre as abertas de sol que permitiram a realização de uma procissão mais curta e o recolhimento da oração Mariana, a primeira romaria, do ano 2026, afirmou-se, uma vez mais, como um pilar da identidade local, unindo a solenidade da Eucaristia ao calor do convívio popular com o tradicional palhete, doces e figos.
A manhã de 15 de janeiro começou sob o signo da chuva, obrigando os devotos a procurar abrigo no interior da Igreja Paroquial de Arnoso Santa Eulália para a celebração da Eucaristia. Durante a manhã, o ambiente foi de recolhimento, mas a esperança de cumprir a tradição na rua não esmoreceu.
Ao início da tarde, no momento da oração Mariana, o céu deu tréguas. Ao “raiar do sol“, a imagem de Santo Amaro saiu finalmente ao encontro dos fiéis. No entanto, devido à instabilidade meteorológica e ao solo fustigado pela intempérie, a organização optou por realizar uma procissão mais curta do que em anos anteriores, garantindo a segurança e a dignidade do ato religioso.
A cerimónia contou com a pregação de José Pedro Alves, pároco no Arciprestado de Guimarães, que encerrou os momentos de culto antes da passagem para a vertente profana da festa.
Para o Presidente da União de Freguesias, Ricardo Pinto, a adesão do público, mesmo com o tempo adverso, é a prova da vitalidade desta romaria. “É realizada sempre no dia 15 de janeiro, ou seja, faça chuva, faça sol“, afirmou o autarca, destacando que, apesar da procissão ter sido encurtada, foi possível realizar todos os atos com o respeito que aquele santo merece. “O principal é mesmo a questão da fé e as pessoas têm a devoção. Mesmo com as condições climatéricas adversas, temos aqui uma boa moldura humana“, reforçou.
O pároco local, Padre Vítor Sá, corroborou esta visão, descrevendo a romaria como um “ato de fé” que marca o início do ano. “No meio do inverno, acreditamos que o ano que está a começar pode ser um ano cheio de luz. Santo Amaro é o pioneiro, aquele que abre a primeira romaria do ano e tem muito a ver com a nossa identidade festiva“, explicou o sacerdote, notando a presença de pessoas vindas de Barcelos, Braga e de vários pontos de Famalicão. Mário Passos, chefe da municipalidade famalicense, também se participou naquelas cerimónias, juntamente com a comunidade.
Cumpridas as promessas e as orações, o adro da igreja encheu-se de vida. O habitual convívio entre locais e forasteiros foi aquecido pelo vinho palhete, servido como manda o costume, acompanhado pelos tradicionais figos e pelos “Doces de Santo Amaro”.
Ricardo Pinto sublinhou que estes elementos são o “aliciante” que complementa a vertente religiosa: “Mais que uma romaria, é uma peregrinação, mas claro, tem sempre a questão do palhete, dos figos e os próprios doces característicos“. A celebração terminou com o recinto cheio, provando que, em Arnoso Santa Eulália, a tradição está “bastante enraizada” e é imune ao mau tempo.
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