A associação famalicense Casa da Memória Viva (CMV), em parceria com a equipa terapêutica LembrArte, vai lançar, no dia 14, o programa de mentoria “Vidas Partilhadas”. A iniciativa, que se prolongará por 11 meses, distingue-se por oferecer atividades paralelas e coordenadas tanto para cuidadores informais como para as pessoas cuidadas com demência, prevendo um total de 22 sessões nas instalações dos Bombeiros Voluntários Famalicenses.
O projeto surge como uma resposta direta às necessidades sentidas no concelho de Vila Nova de Famalicão. Segundo Carlos de Sousa, presidente da CMV, o programa foi desenhado com base nos “pedidos de suporte que cuidadores e famílias nos vão fazendo“, focando-se no desenvolvimento de competências pessoais sem descurar a estimulação cognitiva do doente, que é descrito como o “protagonista principal“.
Durante a apresentação da iniciativa, o vereador Augusto Lima destacou o caráter diferenciador do projeto, classificando-o como uma peça de “inovação social que tem tudo para fazer a diferença“. O orçamento, próximo dos cinco mil euros, é assegurado por quotas de associados, mecenato e pela venda de uma serigrafia comemorativa editada pela associação.
A estrutura do “Vidas Partilhadas” assenta em sessões quinzenais, aos sábados, com a duração de 60 a 90 minutos. Enquanto os cuidadores recebem mentoria em temas como direitos legais, nutrição e autocuidado, as pessoas com demência participam em atividades de musicoterapia, expressão artística e motricidade.
As candidaturas para esta primeira edição, limitada a 16 participantes (oito duplas de cuidador/doente), encerram no próximo sábado, dia 28. Os interessados podem inscrever-se:
Presencialmente: Esta quarta-feira, dia 25, na sede da CMV (Rua de S. João de Deus, 116).
Digitalmente: Através de formulário online disponível nas plataformas da associação.
A seleção final será coordenada pela terapeuta ocupacional Cristiana Sousa, incluindo uma reunião de avaliação no dia 7 de março para garantir que os binómios selecionados beneficiam plenamente das condições psicoeducativas do programa.
A urgência deste tipo de respostas sociais é reforçada pelos dados recentes do relatório “A prevalência da demência na Europa 2025”. Portugal ocupa o terceiro lugar na União Europeia com a maior taxa de prevalência, contabilizando mais de 238 mil pessoas a viver com síndromes demenciais, na sua maioria mulheres.
As projeções para 2050 são alarmantes, prevendo-se que o número de casos em Portugal atinja os 367.807, o que representará 3,76% da população nacional, um valor acima da média europeia.
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