Falar do tema, a supraconsciência, é tarefa difícil por força do que envolve. É, também, um assunto controverso por entroncar com o nosso perfil espiritual, o que não se limita à nossa formatação corporal.
Muitos de nós não nos predispomos, pelo menos, a escutar alguém sobre essa matéria. Para outros, o assunto assume contornos despropositados e perfila-se, completamente, no domínio dos loucos ou dos lunáticos. Para outros ainda, trata-se de um vão do transcendental, do que se esbate numa esfera fora do nosso entendimento humano, porque se relativiza no espiritual ou no que alguns designam por espiritismo. Mas convenhamos que é um tema convidativo para o explorarmos.
Fui ouvir, numa vídeo-conferência transmitida, a partir de Barcelona-Espanha, para um espaço no Porto, o Doutor Manuel Segarra. De quem se trata? É um médico cirurgião espanhol (catalão) especializado em cirurgia geral, digestiva e oncológica, que se tornou muito conhecido por defender a existência da supraconsciência e da vida após a morte física. Luís Portela, o ex-CEO da Bial e, ora, Presidente do CA da Fundação dessa reconhecida empresa farmacêutica, também tem espalhado conceitos – idênticos – sobre essa “caixa”.
Não vou, por razão do espaço destas linhas – seria fastidioso – dissecar tudo quanto ele disse. Vou deter-me no essencial para vos “abrir o apetite”…
A supraconsciência é, dizendo de uma forma simples, a nossa autêntica identidade, a nossa energia de alta frequência que, como diz esse especialista – “a que transcende o corpo físico e a morte biológica”.
Apetecia-me deixar a interrogação: será que é a nossa outra dimensão? Não humana, mas espiritual? Talvez…Passamos por cá. Vamos viajar para a Eternidade. Retornaremos? Quem sabe…tudo é aprendizagem.
Vivemos, como todos sabemos – nunca tanto como hoje – sob a força do materialismo, puro e duro. Vivemos – a maioria – para ter, em vez de vivermos para ser…
Para Segarra a “morte física não é o fim”. É um novo princípio…um novo caminho, uma outra esfera de uma outra vida. Será, por ventura, o desprendimento do corpo material para – revela esse estudioso da matéria – “regressarmos a outra dimensão energética”…sem corpo material.
O que interessa, presentemente, perante o que designo de ferocidade da vida, a que muitos adoptam para se tornarem importantes e viverem na soberba, esquecendo o outro, é o materialismo, o ter muito, o mostrar carros e luxos. Deixamos o humanismo – o cristianismo ensina-nos a enveredar por essa filosofia de viver – porque atirámos para o lixo a nossa marca genuína de homens e de mulheres, a nossa identidade humana, monde devia caber, sem limites, a generosidade, a misericórdia, a justiça e o amor. Segarra atirou essas palavras, na palestra, para nos provocar. E conseguiu.
Se não cuidarmos da nossa identidade humana…o caminho de passagem para a nossa nova dimensão será de dor e de dificuldades. Do outro lado, onde não existe soberba, egoísmos, invejas, injustiças e maldade…espera-nos a bondade, a quietude, a bonança, a luz e a paz. Muito haveria para dizer, mas outra oportunidade surgirá.
António Barreiros
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