Assistimos nos últimos tempos a um espetáculo lamentável que mais não é do que uma distração coletiva: a interminável “novela” em torno de Cristiano Ronaldo e o selecionador nacional. Um tema amplamente debatido, dissecado e inflamado, mas que, no fundo, não passa de um absoluto não-assunto.
A questão primordial devia ser simples, quase elementar, mas parece ter-se perdido na névoa do sensacionalismo: afinal, quem é que dirige a Seleção Nacional? É o capitão de equipa ou é o selecionador?
A resposta a esta pergunta deveria ser unânime, mas a realidade atual mostra-nos que anda tudo às avessas. Vivemos tempos em que a hierarquia institucional parece ter evaporado, dando lugar a uma cultura de exceção onde imperam os caprichos e os estatutos individuais. Em qualquer empresa, organização ou contexto de trabalho digno desse nome, há regras estritas a seguir e cada um tem a sua função bem definida. O futebol de alta competição não pode nem deve ser uma exceção. Basta de cedências a figuras intocáveis, de meninos bonitos e mimados que parecem esquecer-se de que o coletivo está sempre acima de qualquer individualidade, por mais brilhante que tenha sido o seu passado.
O mais grave é o impacto que esta cortina de fumo mediática tem na sociedade portuguesa. Este é um assunto artificial que não deveria consumir mais nem um minuto do nosso debate público, muito menos servir de combustível para alimentar egos e polémicas estéreis.
Até os profissionais da comunicação social parecem ter perdido o rumo, adulterando as suas funções fundamentais. O triste espetáculo protagonizado por comentadores e jornalistas — como aquele jornalista inglês que ultrapassou largamente a linha da deontologia ao emitir opiniões pessoais e tendenciosas onde apenas se exigia rigor e objetividade — demonstra bem o estado a que chegámos.
Em suma, estamos perante uma sarrabulhada mediática que ultrapassa todos os limites da sensatez. É, pura e simplesmente, o fim da picada. Está na hora de devolver o foco ao relvado, de restaurar a autoridade de quem tem de mandar e de lembrar que a Seleção Nacional pertence a todos os portugueses, e não aos caprichos do momento.
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