Estou fora de mim e atónito… Brada aos céus e leva-me às nuvens, de tão aborrecido que estou.
A notícia caiu-me nos ouvidos vinda de um noticiário, logo pela manhã, da Rádio Renascença, que falava que o Teatro D. Maria II tem um Conselho de Administração.
Tem mesmo, porque fui pesquisar. Esse órgão de um Teatro que o Estado decidiu incluir no seu pantone de Empresas Públicas (!) possui 3 membros.
E pasme-se porque essas centenas, entre outros tantos tachistas, nomeados pelo Governo – este ou outro – mamam milhões de milhões de euros a todos nós.
Um Teatro tem um Conselho de Administração? Só neste País dourado em quem sobra para um séquito de gente que moureja na política, em Lisboa, à custa dos que labutaram toda a sua vida e recebem, em reformas, umas côdeas que mal dão para os medicamentos quanto mais para se alimentarem e terem uma vida digna.
Mas os vencimentos são chocantes: Presidente, um tal de Rui Catarino Gonçalves – 6.409,48 euros; Vogal, uma Sofia Campos – 5.127,58; e a vogal financeira Susana Ribeiro – 4.578,20 euros.
No tal Estado Novo, que esta gente, principalmente da esquerda, tanto crítica, e entre 1929 e 1964 (ano em que um incêndio destruiu o Teatro), a gestão coube à Companhia Rey Colaço, portanto, uma concessão privada.
Fui vasculhar e mais me doeu pelo desmando do que para aí vai. O D. Maria II vai receber, entre 2026 e 2028, 24,9 milhões. O OPART (Teatro S. Carlos e Companhia Nacional de Bailado), durante esse mesmo período, vai ter 74,6 milhões. Faltam os outros Teatros e Companhias, sedeadas em Lisboa, a maioria de esquerda que arrecadam do Estado mais uns milhares. E O CCB dispõe do Estado de 10,5 milhões/ano, mais o pagamento de outro CA que possui. Ainda faltam os do Porto e outras migalhas a distribuir pelo País…
É fartar vilanagem. Depois, tributa-se, com impostos, taxas e taxinhas os portugueses para que essa gente tenha tachos e viva à nossa custa. Começa a faltar na Segurança Social para que estes empregados não fiquem sem vencimentos chorudos… Um circo.
Vergonha e indecência. Este e outros exemplos são um insulto a todos nós e um esbanjamento de dinheiros públicos de que precisávamos para investir no desenvolvimento do País para sairmos do conforto dos subsídios da EU.
António Barreiros
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