Nova edição do boletim «Norte Estrutura» revela que a região inverteu a trajetória demográfica e reforçou a população ativa, impulsionada pelo dinamismo económico e pela imigração.
A Região Norte ganhou mais de 187 mil habitantes entre 2021 e 2025, um aumento populacional de 5,2% que se traduz no crescimento mais expressivo das últimas décadas e que permite inverter um ciclo de vários anos de declínio e estagnação. Os dados constam da edição de verão 2026 do boletim Norte Estrutura, publicado pela CCDR NORTE sob o tema «O Novo Mapa Demográfico do Norte: população, migrações e envelhecimento à luz das novas estimativas do INE».
Pela primeira vez, a recuperação populacional estendeu-se às oito sub-regiões do Norte, alcançando inclusive os territórios do interior historicamente afetados pelo despovoamento. Embora no acumulado entre 2011 e 2025 o crescimento da população residente se fixe em 2,9%, o desempenho registado nos últimos quatro anos marca uma viragem estrutural na dinâmica demográfica da região.
“Os dados demonstram que o Norte entrou num novo ciclo demográfico. Pela primeira vez nos últimos anos, todas as sub-regiões registam crescimento populacional. Este é um sinal de uma região mais atrativa, capaz de gerar oportunidades, criar emprego e fixar população, embora persistam desafios estruturais ligados ao envelhecimento demográfico e à renovação geracional”, destaca o Presidente da CCDR NORTE, Álvaro Santos.
O principal motor desta recuperação foi o saldo migratório, que entre 2021 e 2025 atingiu um valor positivo de 235,2 mil pessoas. Este fluxo compensou com folga o saldo natural negativo da região, resultando num ganho líquido de 187 mil residentes. O fenómeno revelou-se transversal a quase todo o território, com 83 dos 86 municípios do Norte a apresentarem saldos migratórios positivos.
O estudo assinala igualmente uma maior disseminação territorial do crescimento, que deixou de estar confinado às áreas metropolitanas e aos grandes centros urbanos. Se entre 2011 e 2025 apenas 31 concelhos tinham aumentado a sua população, no período 2021-2025 esse número subiu para 63 municípios.
A par do aumento global de habitantes, o boletim destaca o reforço da população em idade ativa (dos 25 aos 64 anos) em todas as sub-regiões, contrariando a tendência de perda verificada no longo prazo. Em áreas como o Alto Minho, o Cávado e a Área Metropolitana do Porto, registou-se também um incremento no escalão dos 15 aos 24 anos, sinalizando uma renovação geracional com impacto no capital humano e no potencial económico regional.
Apesar dos indicadores positivos, o documento alerta para a permanência de desafios estruturais, nomeadamente o envelhecimento populacional e o défice do saldo natural, com maior incidência nos territórios de muito baixa densidade. O Norte Estrutura conclui, ainda assim, que a região consolida um novo ciclo demográfico, caraterizado por maior inclusão territorial e capacidade de atração.
O boletim Norte Estrutura é uma publicação periódica da CCDR NORTE orientada para a análise de tendências de médio e longo prazo, visando complementar a monitorização conjuntural com leituras estruturais sobre a economia e a sociedade regionais.
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