O falecimento de Jorge, o Palma, o músico, faz-me entrar por dentro da palavra do seu sobrenome.
Ele fez da sua vida um teatro – aqui, comédia; ali, espectáculo; acoli, interpretação; acolá, mostrou o cantor, o compositor e o músico pianista e guitarrista que soube ser. Ele facetou-se com a distinção das artes musicais.
Se me ater na face interior da mão, a chamada palma, parte volar ou face palmar, vejo lá os trilhos das linhas. Dizem que são as da vida…dos caminhos, dos amores, dos sentimentos, da saúde e de tanta coisa que se mete com o esoterismo. Na palma da mão de Jorge, o Palma, estavam lá essa linhas com destinos.
A leitura das linhas das mãos, a quiromancia ou quirologia, deixa os traços da personalidade, das emoções e das estradas da vida. Dizem conter a linha do coração, da cabeça e da vida. Estão lá outras. Adoro este tipo de mundo do transcendental. O Jorge olhou – estou certo, até para se cruzar com o seu apelido – para essa faceta da palma das suas mãos. Ajustou-se a essas? Talvez… Deu-lhes tino?
Mas um ramo de palma é um símbolo cristão para o triunfo ou para a vitória. Jorge conheceu triunfos e vitórias na sua arte musical. O particular só a ele pertence….
Ele soube, na sua sensibilidade de músico, traduzir nessa sua arte as expectativas, as quedas, as angústias e a vulnerabilidades do ser humano. Interpretou à sua maneira a nossa condição… Também passou por ela, sufocando-se, aqui e ali…
Deixa-me rir, com ironia da poesia e com o som timbrado do piano, foi um hino à verdade do homem, ao aspecto de sinceridade emocional e ao lado da vivência real da dor e da alegria…
Uma das suas estrofes é penetrante e um desafio a que, cada um de nós – talvez o tenha sido para ele, Jorge Palma – possa sair da casca e mostrar-se, apresentando-se:
Deixa-me rir/ Ou então deixa-me entrar em ti/ser o teu mestre s por um instante/ iluminar o teu refúgio/ aquecer-te essas mãos/ rasgar-te a máscara sufocante
Sem rir e sem chorarmos a sua morte, antes recordando a sua voz, a sua destreza poética e a sua vida musical, gostava que fossemos entoando, em jeito de o rememorarmos, revisitando-o, uma ou outra das suas mais populares canções.
Descansa na plenitude do Universo.
António Barreiros
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