Os filhos que batem nos pais é uma realidade – suja e abjecta – que tem marcado os últimos anos, numa espiral de violência, também ela de cariz doméstica, que está a alastrar e a tomar conta de alguns lares.
Um Comissário da PSP, em declarações à RR, deixou um alerta, afirmando que se trata da ponta de um verdadeiro iceberg com contornos maiores do que se pode imaginar, até porque – disse – muitos casos não são denunciados às autoridades, porque os pais temem represálias.
Os dados são já preocupantes, tomando por base os que a APAV/ Associação Portuguesa de Apoio à Vítima divulgou: só nos últimos cinco anos, essa Associação apoiou 4.804 progenitores agredidos pelos próprios filhos. Um pormenor importante: “As mães são as mais atingidas e a maioria dos agressores é do sexo masculino”.
Outra informação que deve ser tida em conta, também dada à estampa pela APAV: “A violência perpetrada pelos filhos contra os próprios pais intensificou-se, entre 2021 e 2025, registando uma “subida de 39,6%”.
A APAV revela uma outra nota que deve ser avaliada e analisada: “As mães são, de forma esmagadora, as principais vítimas desta violência, enquanto a maioria dos agressores identificados é do sexo masculino. Cerca de 60% das vítimas atingidas têm 65 ou mais anos”.
Os especialistas, a propósito desta verdadeira gangrena da sociedade deste nosso tempo, apontam: “a dependência económica mútua (muitas vezes com pais reformados a sustentar filhos adultos) e o fracasso na gestão de expectativas ou frustrações por parte dos filhos desencadeiam episódios de violência psicológica, física e financeira”.
Este é um alarme que nos devia incomodar, principalmente aos decisores governativos e da justiça, além de que deveria motivar especialistas para a abordagem deste tema que pode fracturar e trazer grandes problemas ao nosso quotidiano e modo de vida.
Uma Nação que não cuida e não sabe deixar em segurança os seus cidadãos idosos está a cavar um fosso que abrirá brechas difíceis de estancar e as quais vão afectar a normal convivência e normalidade de vida…
António Barreiros
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