O folhetim “homenagear antigos autarcas” derreteu, durante umas semanas, tempo. Imprimiu mal-estar nas sessões de trabalho do Executivo Municipal de V. N. de Famalicão. Tudo por causa de uma proposta do PS sobre esse tema que não foi aceite pelo Presidente. Acabou traduzida noutra, de sua autoria. Esta despoletou uma posição – drástica – de uma das personalidades a homenagear.
Armindo Costa, de que tanto falou Mário Passos, o actual chefe da municipalidade, proferindo elogios e afirmando que muito aprendeu com esse destacado autarca e social-democrata, veio a terreiro. Deixou dito que basta. Disse, ainda, não estar disponível para a Sessão que o venha a agraciar.
Não conheço, pessoalmente, Armindo Costa. Quero saudá-lo e deixar-lhe esta nota: já não há homens com o perfil de dignidade, de nobreza de carácter, e com ética pessoal e moral como demonstra ter esse Homem e Cidadão famalicense.
Ele acolheu a proposta do PS sobre o preito de gratidão que os socialistas preconizavam, apesar de não ser dos seus. Mas, depois de todo o embaraço que aconteceu, com o Presidente do Município a rejeitá-la por – disse – não concordar com ela (está no seu direito, mas não devia ter atropelado a dessa bancada da oposição), Armindo Costa saiu em defesa do seu bom nome.. Não está, como o destaca numa carta aberta, para ver o seu nome exposto na praça púbica com toda a controvérsia que se espalhou pelo terreiro famalicense…Armindo Costa – e bem – dá a entender, nessa sua missiva pública, a sabedoria popular: “quem não se sente…”.
Como jornalista já tive a franqueza de, aqui e ali, em conversas políticas, pessoais ou com amigos que fiz em Famalicão, afirmar que o Chefe da Municipalidade anda mal assessorado e que, pela sua rigidez política e pouca elasticidade democrática, acaba por cavar fossos. E, essa sua maneira de agir, sem reflectir, convenientemente, nos temas e assuntos de melindre ou outros de “lana caprina”, acaba por lhe pespegar uma imagem ( estou certo não ser a dele). Que o prejudica e determina, as mais das vezes, a ter uma postura pouco ecléctica e humilde…Não vai mal ao mundo local ou outro dar a mão à palmatória ou pedir, publicamente, desculpa. Essa é formula dos grandes
Nas lides políticas e partidárias é preciso ter jogo de cintura, ou seja, apresentar capacidade de adaptação aos problemas que são presentes a reuniões. Alguns azedos de boca, como ora acontece, são consequência de não ser flexível. Fracturar assuntos é incendiar a vida do poder local e não contribuir para a urbanidade e melhor solução de este ou aquele caso. Para além do mais, quem assume cargos públicos deve ser maleável e perceber que será alvo de críticas, devendo enfrentá-los com lucidez e inteligência. Deve ter, também, a sagacidade de encontrar soluções. Não ser o problema, mas a solução…
O tema homenagear antigos autarcas está a chamuscar a vida municipal de V. N. de Famalicão e não contribui para o diálogo inter-partidos, numa altura que se avizinham os 50 Anos do Poder Local Democrático.
António Barreiros
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