Reunião extraordinária ditou o chumbo da iniciativa do PS. Em carta aberta, o ex-presidente Armindo Costa acusa o executivo de Mário Passos de falta de “lealdade” e recusa alternativas.
A polémica em torno da proposta de homenagem aos antigos presidentes da Câmara Municipal de Famalicão, Agostinho Fernandes e Armindo Costa, conheceu um novo e tenso capítulo. Após ter sido sucessivamente excluída da agenda das últimas reuniões pelo atual edil, Mário Passos, a iniciativa avançada pelo Partido Socialista (PS) foi finalmente submetida a votação na passada sexta-feira, dia 3, numa reunião de câmara extraordinária realizada à porta fechada. A maioria do executivo acabou por chumbar o documento, provocando uma reação musculada de Armindo Costa, que enviou uma carta aberta ao presidente da autarquia a lamentar o arrastamento do seu nome para a “praça pública”.
A intenção do PS de homenagear os dois antigos rostos do poder local famalicense — nos 50 anos do poder local democrático — esteve no centro do debate político nas últimas semanas. Contudo, o facto de Mário Passos não ter agendado o pedido nas reuniões ordinárias anteriores obrigou a oposição a recorrer a mecanismos excecionais para forçar o debate.
O impasse culminou na convocatória da sessão extraordinária de sexta-feira. À porta fechada, os votos da maioria coligada ditaram a rejeição da proposta original, um desfecho que Armindo Costa classificou como “embaraçoso” para a história democrática do concelho.
Carta aberta aponta falta de “lealdade institucional”
Face à exposição mediática do caso, Armindo Costa, que liderou o município durante três mandatos sob a bandeira da coligação “Mais Ação Mais Famalicão“, quebrou o silêncio. Numa carta aberta dirigida a Mário Passos, o antigo autarca expressou um “imenso desconforto” pela forma como o processo foi conduzido.
“Sinto um imenso desconforto ao ver o meu bom nome, o trabalho e as equipas que liderei (…) serem arrastados para a praça pública pelos partidos e pelo executivo municipal que tem a obrigação primeira de defender a nossa história“, escreveu o ex-presidente.
Armindo Costa elogiou o gesto de “cortesia democrática” do PS — realçando o significado de o partido derrotado nas eleições se lembrar do seu papel e do de Agostinho Fernandes —, mas apontou o dedo à liderança atual por não ter promovido qualquer diálogo ou contacto prévio, seja por parte do Presidente da Câmara, seja pelos líderes locais do PSD e do CDS-PP.
Ex-autarca recusa propostas alternativas
Na mesma missiva, o antigo timoneiro da autarquia assumiu uma postura intransigente quanto ao futuro. Diante do chumbo do documento original do PS, Armindo Costa anunciou que retira o consentimento para que o seu nome seja incluído em qualquer outro formato de homenagem que o executivo possa vir a desenhar.
O ex-autarca justificou a decisão sublinhando que a aceitação de um texto alternativo, depois do sucedido, “seria de uma enorme hipocrisia seja para quem a propõe, seja para quem a aceite“. Costa concluiu reforçando que sempre encarou a política como “correspondência a um dever de cidadania” e que, por isso, nunca procurou honras formais ou medalhas enquanto esteve em funções.
O caso promete continuar a marcar a agenda política de Vila Nova de Famalicão, numa altura em que as clivagens no seio do espetro político local se tornaram mais evidentes.
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