Famalicão será palco de uma homenagem a Salvador Coutinho, no dia 25 de Abril, figura incontornável da advocacia e das letras locais. A iniciativa, organizada pela Casa da Memória Viva (CMV), terá lugar às 15 horas, no auditório da Fundação Cupertino de Miranda, e assinalará não só o percurso cívico do homenageado, mas também o lançamento do seu novo livro, intitulado “Era uma vez uma história que não sabia contar-se”.
Aos 90 anos, Salvador Coutinho mantém uma vitalidade criativa notável. O novo título, com a chancela da Elefante Editores, é o seu 11.º livro de poesia original e a 18.ª obra de uma carreira literária iniciada em 1957. Composto por 71 poemas, o livro evoca memórias da infância do autor na Rua da Liberdade, em Calendário, para onde se mudou aos nove anos, vindo de Espinho, refere a nota.
Para a direção da Casa da Memória Viva, esta obra contribui para “avivar a nossa ‘famalicidade’“, reforçando a identidade coletiva da comunidade através das recordações de figuras e lugares que marcaram o Famalicão de meados do século XX.
A sessão evocativa contará com:
Declamação de poemas: Pelas vozes de António Campos de Sousa e Carlos Carneiro.
Análise literária: Notas de leitura apresentadas pelo professor João Paulo Braga.
Participação institucional: Intervenções de representantes da Associação Portuguesa de Escritores e da Ordem dos Advogados.
Partilha comunitária: Uma conversa entre Salvador Coutinho e antigos e atuais moradores da Rua da Liberdade.
Nascido em 1935, Salvador Coutinho conciliou, durante anos, o trabalho na Fábrica de Pneus Mabor com os estudos em Direito na Universidade de Coimbra. Abriu o seu escritório de advocacia em 1970, profissão que mantém até hoje.
Além da escrita e do direito, o seu percurso é marcado pelo desporto — destacando-se no hóquei em patins pelo Famalicense Atlético Clube e na columbofilia — e por uma forte intervenção política. Antes da Revolução de 1974, foi militante do MDP/CDE e alvo de vigilância pela PIDE. Mais tarde, integrou o Partido Socialista, chegando a liderar a bancada municipal em Famalicão durante dois mandatos.
Aquela homenagem insere-se na missão da CMV de salvaguardar a memória coletiva famalicense. Carlos de Sousa, presidente da direção, sublinha que a associação tem privilegiado o reconhecimento de cidadãos exemplares, tendo já homenageado figuras como a enfermeira Miquelina Peixoto e o médico Miguel Machado. Segundo o dirigente, a memória individual alimenta-se da interação social, sendo vital valorizar aqueles que, como Salvador Coutinho, definem a identidade da terra.
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