O eurodeputado português Hélder Sousa Silva integrou, esta semana, uma missão oficial do Parlamento Europeu à Argentina para avaliar as condições de entrada em vigor do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. A visita ocorre num momento decisivo, uma vez que a componente comercial do tratado começará a ser aplicada de forma provisória já no próximo dia 1 de maio, exatamente daqui a um mês.
Na qualidade de membro da Delegação para as Relações com o Mercosul (DMER), Hélder Sousa Silva reuniu-se na capital, Buenos Aires, com membros do governo argentino — incluindo o ministro dos Negócios Estrangeiros e o secretário da Segurança — bem como com representantes da sociedade civil e do meio académico.
A missão estendeu-se à província de Salta, onde a delegação focou a sua atenção no setor energético. Os eurodeputados visitaram empresas europeias envolvidas na exploração de lítio, um mineral essencial para a transição verde e digital da Europa.
A Argentina, que juntamente com o Uruguai já ratificou o Acordo de Comércio Internacional (iTA), é vista como um parceiro vital para a “autonomia estratégica” da UE. Hélder Sousa Silva destacou que o acordo permitirá o aprovisionamento seguro de matérias-primas industriais sem impostos de exportação, reduzindo a dependência europeia face a mercados como a China.
“Esta é uma janela de oportunidades para as economias de ambos os blocos e uma forma de fortalecer as relações comerciais, criar empregos e promover o desenvolvimento sustentável“, afirmou o eurodeputado eleito pelo PSD.
O acordo comercial UE-Mercosul criará um mercado de 700 milhões de consumidores, tornando-se a maior zona de comércio livre do planeta. Para acelerar o processo, a Comissão Europeia dividiu o tratado em duas partes:
- Componente Comercial: Já aprovada pelas instituições centrais da UE, entra em vigor brevemente.
- Acordo de Parceria: Mais abrangente, que inclui cooperação política e cultural, e que aguarda a ratificação individual dos parlamentos nacionais dos 27 Estados-membros, um processo que poderá demorar vários anos.
Hélder Sousa Silva reforçou o apelo ao cumprimento rigoroso do acordo, sublinhando que, num contexto geopolítico de incerteza em relação aos Estados Unidos e à China, a união entre a Europa e a América Latina é “uma oportunidade única” para reforçar laços económicos e culturais.
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