O Salão de Cabeleireiro Orly celebra hoje, dia 1 de abril, o seu 50.º aniversário. Localizado na movimentada Avenida 25 de Abril, o espaço mantém-se como um pilar do comércio tradicional de Famalicão, resistindo ao tempo e à digitalização através de uma fórmula simples: a proximidade e o humor. Sob a gerência de António Silva, a equipa de quatro profissionais continua a moldar a estética masculina da cidade, transformando o ato de cortar o cabelo numa autêntica tertúlia social.
Para António Silva, o atual gerente, a data é motivo de um “orgulho profundo“. O responsável sublinha que o sucesso da casa se deve ao legado deixado pelos sócios fundadores e à fidelidade extrema dos clientes. “Temos quatro gerações de famílias a frequentar o salão: netos, pais, avós. Infelizmente, o nosso cliente mais antigo faleceu há cerca de um mês, mas a sua memória e a presença da família mantêm viva a história da casa“, afirma António, que se assume como um dos barbeiros mais antigos no ativo em Famalicão.
Embora o dia de aniversário coincida com o “Dia das Mentiras“, António garante que a celebração é bem real, apesar de alguns clientes ainda olharem para o anúncio com desconfiança. “Nem todos acreditam à primeira, mas é um dia de festa. Vamos receber clientes da primeira geração que nos vêm brindar com a sua presença“, partilha o gerente, reforçando que o Orly se diferencia pela “equipa constante” e pela afinidade que ultrapassa a barreira profissional.
O sucesso do salão assenta num quarteto coeso. Manuel Silva, irmão do gerente, juntou-se à equipa e, embora não fosse originalmente da área, tornou-se o rosto das relações públicas do espaço. Já César Silva, que encontrou no Orly o seu futuro após casar e procurar trabalho em Famalicão, celebra 13 anos de casa. Com o seu corte de cabelo distintivo — que apelida de “imagem de marca” — César destaca a vertente humana do ofício: “Temos histórias boas e algumas tristes; as pessoas vêm e desabafam, nós ouvimos e tentamos animar“.
O elemento mais recente é Paulo Rocha, que integrou a equipa há três anos. Atraído pelo ambiente de camaradagem e pela “brincadeira” constante entre colegas e clientes, Paulo vê o futuro no Orly com otimismo, reforçando a ideia de que o salão é uma “casa com cunho próprio“.
Numa era dominada pelas redes sociais, António Silva admite que o barbeiro perdeu algum terreno como “jornal local“, mas não perdeu a sua essência. “Há sempre motivo para conversar. O cliente habitua-se ao barbeiro como se habitua ao café“, explica.
Com os olhos postos no futuro, a gerência acredita que a sucessão acontecerá naturalmente, garantindo que o Salão Orly continuará a ser um ponto de referência para os famalicenses. A celebração de hoje contará ainda com a presença dos fundadores Aires Silva e Gabriel Lima, os rostos que, há meio século, deram início a esta história de tesouras, navalhas, secadores de cabelo e muitos sorrisos.
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