A autarquia famalicense reagiu com estranheza à decisão do grupo Editave, negando que o novo boletim municipal “efe” seja responsável pelo fim da edição impressa do semanário.
A Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão manifestou publicamente o seu lamento pela suspensão “por tempo indeterminado” da edição impressa do jornal Opinião Pública. O título, que conta com mais de três décadas de história, é considerado pela autarquia uma peça incontornável da imprensa local.
No entanto, o município refutou categoricamente as justificações dadas pelo grupo Editave, que associou aquela interrupção do jornal ao lançamento do renovado boletim municipal, o “efe”. A autarquia sublinha que:
O boletim municipal existe desde a década de 80 e sempre coexistiu com a imprensa local.
O “efe” é uma publicação institucional bimestral, não possuindo natureza concorrencial.
A autarquia defende o seu direito de decidir como comunica a sua atividade e valoriza o território.
Em comunicado, a Câmara Municipal reiterou o respeito pelos profissionais do setor e rejeitou “liminarmente” a acusação de que a nova estratégia de comunicação institucional possa estar na base da decisão editorial do grupo privado, garantindo que continuará a colaborar com os restantes órgãos de comunicação social.
Em declarações à agência Lusa, o administrador do grupo Editave Multimedia, que detém aquele jornal, disse que se trata de um boletim municipal “travestido de jornal” e “uma cópia perfeita de um jornal a sério“. “E isso é perigoso, porque confunde quem lê e asfixia os jornais como o nosso, que apenas vive à custa dos seus anunciantes“, sublinhou Arcindo Guimarães.
A Associação Portuguesa dos Media Digitais Online (APMEDIO) já enviou uma comunicação à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), considerando que o lançamento do “efe” se assume como “um agravamento de práticas de comunicação institucional por parte de autarquias locais que poderão estar a ultrapassar o enquadramento legal aplicável e a afetar o funcionamento da imprensa regional independente“.
Para a APMEDIO, a publicação de Famalicão exibe “uma linha gráfica, editorial e informativa típica de um jornal generalista, ultrapassando o âmbito da informação administrativa e institucional que deve enquadrar a comunicação das autarquias“.
No primeiro exemplar, distribuído na quinta-feira, dia 19, à redação da Famalicão Canal TV chegou um exemplar onde a mesma apresenta publirreportagens, promove restaurantes e alojamentos, usa vocabulário jornalístico, informação em “primeira mão“, nesta edição são anunciados os artistas dos grandes eventos do concelho. Quem pega naquele exemplar sente um autêntico órgão de comunicação social, igual aos outros.
“O efe é pago com dinheiro dos contribuintes, fazendo uma concorrência desleal e asfixiando os verdadeiros jornais, em suporte físico, mas também penaliza, ainda mais, os jornais online,” refere a direção da Famalicão Canal TV, acrescenta que “os recursos são poucos, em termos de publicidade. A câmara não distribui publicidade institucional nos meios digitais. Por outro lado, promove as empresas de forma gratuita, fazendo com que estas não recorram aos OCS“, conclui.
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