A noite de Sábado de Aleluia voltou a ser de festa e reflexão na freguesia de Ruivães. A tradicional Queima do Judas, organizada pela Casa do Povo local há 13 anos, mobilizou a comunidade para um evento que alia a sátira social ao espírito religioso da Páscoa. O programa, que incluiu o emblemático “Cortejo Fúnebre” e momentos culturais, culminou com a leitura do testamento e a queima da figura do traidor, num gesto simbólico de purificação.
Para Duarte Veiga, Presidente da Junta de Freguesia de Ruivães, o evento já “criou raízes” e ultrapassa o mero entretenimento. O autarca local destacou o crescimento da iniciativa, que hoje envolve não só associações, mas também cidadãos a título individual.
“Algumas verdades são ditas em tom de brincadeira (…) é o momento de nós dizermos aquilo que temos a dizer e que realmente possamos aqui passar uma mensagem de fechar uma barreira daquilo que foi feito de mal até agora“, afirmou Duarte Veiga.
O presidente sublinhou que a queima simboliza o “queimar de tudo o que nos atrapalha no dia-a-dia“, seja no trabalho ou na família, permitindo à comunidade “renascer” e enfrentar o futuro com maior solidariedade.
A vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, Susana Pereira, também marcou presença e realçou o valor daquelas manifestações espontâneas. Para a vereadora, a sátira presente no testamento do Judas é um reflexo da saúde democrática do país.
A vereadora destacou a importância de ouvir as críticas construtivas e as “verdades” lançadas à fogueira.
Susana Pereira associou a tradição ao contexto mundial atual, referindo a necessidade de reflexão e de dar um passo em frente para “sermos cada dia melhor“.
Foi garantido o apoio contínuo do município às iniciativas que as comunidades locais valorizam.
O evento terminou com um balanço extremamente positivo por parte dos presentes, que elogiaram a organização da Casa do Povo de Ruivães. Entre o riso provocado pelas críticas sociais e a solenidade do período pascal, a Queima do Judas afirmou-se, mais uma vez, como o principal ponto de encontro da freguesia no fecho da Quaresma, prometendo regressar no próximo ano para “renovar os votos” de união da população.
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