O novo projeto editorial da Câmara Municipal de Famalicão, lançado esta quinta-feira, está a suscitar fortes críticas por parte de jornalistas e da classe política. Em causa está a alegada “competição desleal” com a imprensa local e o risco de confusão entre informação institucional e jornalismo independente.
O lançamento do “efe”, o novo meio de comunicação do município de Famalicão, está no centro de uma polémica que divide a região. Com uma tiragem massiva de quase 62 mil exemplares, a publicação apresenta-se com uma “roupagem” de jornal, incluindo notícias em primeira mão, entrevistas e publireportagens, o que levou profissionais do setor a denunciar uma tentativa da autarquia de substituir os órgãos de comunicação social independentes.
Juliana Machado, diretora de Grupo VOZ-ON / Editave Multimédia, classifica a iniciativa como “grave“, alertando para a desigualdade de recursos. “Fica difícil competir com recursos quase ilimitados. Ou terá um jornal local a capacidade de distribuir mais de 60 mil exemplares?“, questiona a jornalista, sublinhando ainda que o “efe” utiliza rubricas com nomes idênticos aos que já existem há anos na imprensa local, sugerindo uma “apropriação deliberada“.
A jornalista Carla Soares reforça a preocupação ética, lembrando que o papel de uma instituição é fornecer informação para que os jornalistas a filtrem. Segundo Carla Soares, quando a fonte se torna o próprio meio de difusão:
Perde-se o contraditório e a isenção.
Ameaça-se a sobrevivência dos jornais locais, que vivem de publicidade de empresas agora presentes na publicação municipal.
Confunde-se o leitor entre marketing institucional e jornalismo de rigor.
Enquanto a Câmara defende que o projeto traz as “últimas notícias sobre a atividade municipal“, a classe jornalística famalicense une-se na defesa da democracia, reiterando que uma operação de comunicação camarária nunca poderá substituir o olhar crítico e independente da imprensa.
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