Participo na celebração da Missa quando estou predisposto a fazê-lo. Não me quero incorporar num ritual do qual, passados cerca de 60 anos da mudança, pós Concílio Vaticano II, me sinto afastado no meu interior. Fomos do latim para a língua de cada Nação e, também, do sacerdote estar de costas para a assistência.
Um avanço, a partir desse tempo.
Mas, volvido mais de meio século, a Missa está a precisar de uma brisa fresca. De mudança para que haja acolhimento, para que se processe participação, para que se promova o espírito de paróquia e de comunidade, assim como se estabeleça o primado da partilha, da fecundidade da amizade e da inter-ajuda, com palavras, gestos e actos.
A Missa não pode ser, apenas e só, escutar-se o celebrante. A missa não pode continuar a ser o debitar das ladainhas que lhes estão coladas. O ritual está ronceiro e bafiento. Tratando-se de um dos actos solenes do centro da vida cristã, num figurativo da Paixão, da Morte e da Ressurreição de Cristo, precisa que nele participemos com chama. Sabe a pouco ser um mono. Não é ter unidade cristã. Temos que nos sentir um corpo, um grupo, um coração e uma alma animada pelo espírito de Cristo, mas em comunhão e participação colectiva.
A Missa devia e terá de ser um espaço de convívio, de eco da voz de cada um dos que participam – os catecúmenos dão lugar a uma participação pessoal e colectiva, deixando a este e àquele a possibilidade de transmitir aos outros as suas inquietações, ansiedades e, também, as suas opiniões sobre as leituras ou o que elas lhes podem transmitir – para que se torne viva, motivadora e mais um caminho de vida, um lugar de encontro com Deus, de comunhão e de compreensão/amor.
A Missa, como está, não atrai, não cativa e não é convidativa a que eu participe – falo por mim e por muitos outros – para que cada um seja parte desse acto, fazendo-se instrumento e elo de ligação com os outros, os seus irmãos e, ainda, com o celebrante. As gerações jovens gostam de grupos e de caminhada fraterna.
Gostava de adiantar que pró-Missa nos devíamos reunir para, em cima da mesa, partilhar o que cada um consiga levar de casa – rissóis, pão com queijo ou fiambre, passas de uva, amendoins e, porque não, um vinho do porto. Esse final em jeito de aconchego do corpo e do espírito, teria um outro sabor, mais robustecido pelo que sabemos dividir ou distribuir, a que se acrescentaria a multiplicação dos diálogos e das palavras. O final seria um tempo de apoteose final, propício a surgir nunca a crítica maldosa, mas a bondosa, a que trace melhores caminhos para cada um e todos. Rejuvenescer, oferecendo novo sentido à Missa, com a nossa mais alargada participação, em sintonia com o pastor, dar-nos-ia novo alento e energias para a vida que temos de, durante cada semana, enfrentar e percorrer.
Texto: António Barreiros
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