A repressão violenta contra manifestantes no Irão já terá causado pelo menos 2.000 mortos. A organização alerta para uma política estatal de “derramamento de sangue” e exige que o Conselho de Segurança da ONU leve o caso ao Tribunal Penal Internacional.
A Amnistia Internacional (AI) emitiu um alerta urgente esta semana, denunciando uma escalada de violência “sem precedentes” pelas forças de segurança iranianas para esmagar protestos maioritariamente pacíficos. Segundo dados oficiais citados pela organização, o número de vítimas mortais subiu para 2.000 desde o início da revolta a 28 de dezembro, com um agravamento crítico a partir de 8 de janeiro de 2026, refere um comunicado.
Através da análise de vídeos verificados e testemunhos de sobreviventes e profissionais de saúde, a AI documentou execuções ilegais em várias províncias, incluindo Teerão, Alborz e Razavi Khorasan, refere.
Morgues improvisadas: Em Kahrizak, perto da capital, foram identificados pelo menos 205 sacos mortuários num anexo forense devido à sobrecarga das instalações oficiais.
Relatos indicam que atiradores posicionados em telhados e agentes da Guarda Revolucionária (IRGC) utilizaram munições reais e caçadeiras, visando deliberadamente a cabeça e o tronco de civis desarmados, pode ler-se.
Testemunhas descrevem hospitais “lotados de cadáveres” e corpos empilhados em contentores de carga para ocultar a dimensão da tragédia, enquanto um bloqueio da Internet tenta impedir a circulação de provas.
A secretária-geral da Amnistia Internacional, Agnès Callamard, classificou a situação como uma “política estatal de derramamento de sangue” alimentada por décadas de impunidade sistémica.
“A comunidade internacional deve tomar medidas diplomáticas urgentes para proteger os manifestantes e enfrentar a impunidade que está a impulsionar esta violência“, afirmou Callamard.
Perante a gravidade dos crimes, a Amnistia Internacional insta os Estados-membros da ONU a:
- Convocar sessões especiais no Conselho de Direitos Humanos e no Conselho de Segurança.
- Encaminhar a situação do Irão ao Tribunal Penal Internacional (TPI).
- Estabelecer mecanismos de justiça internacional para investigar e processar os responsáveis sob o princípio da jurisdição universal.
A organização reforça que o silêncio da comunidade internacional tem encorajado as autoridades iranianas a persistirem na conduta criminosa, transformando o país num “cemitério” para a dissidência política, conclui.
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