A freguesia de Avidos, em Vila Nova de Famalicão, foi palco de um Jantar da Mulher, no sábado, dia 7, que reuniu cerca de 140 participantes. Organizado pela Comissão de Festas em Honra de Santo Ovídio, o evento serviu não só para celebrar a emancipação feminina, mas também para angariar fundos para as festividades do padroeiro. Num gesto simbólico de valorização, os homens da comissão assumiram a cozinha e o serviço de mesa, permitindo que as convidadas desfrutassem de uma noite de lazer e convívio.
O sucesso da iniciativa foi visível na afluência. Segundo Ramiro Vieira, da organização, as inscrições tiveram de ser encerradas dez dias antes por falta de espaço. “Se tivéssemos uma sala maior, mais inscrições teríamos“, afirmou, sublinhando que a presença de 140 mulheres é o reflexo da importância que a comissão atribui ao papel feminino na comunidade.
Daniela Silva, também da organização, reforçou que o evento é uma prova da união e garra feminina. “A mulher é corajosa, talentosa e guerreira. Estarem aqui todas unidas para angariar fundos para a festa de Santo Ovídio prova que somos fortes“, destacou.
Vozes de gerações: entre a tradição e a modernidade
Para as participantes, a noite foi mais do que um simples jantar; foi um espaço de reflexão sobre a evolução do papel da mulher na sociedade. Maria Cândida, que recordou os tempos de trabalho árduo na fábrica desde os 12 anos, confessou a alegria de reencontrar antigas colegas: “É bom que este dia seja sinalizado e respeitado pelos homens. Antigamente a mulher era escrava do trabalho e dos filhos; agora os homens já são mais compreensivos e ajudam na educação“.
Elisa Vieira e Bruna Matos concordaram que a valorização da mulher está a mudar para melhor no século XXI, embora Bruna note que “em certos aspetos poderia ser muito mais“. O destaque da noite foi, para ambas, o facto de os homens estarem a servir às mesas. “Acho excelente“, brincou Bruna, enquanto Elisa classificou a inversão de papéis como “maravilhosa e própria do século em que vivemos“.
Apesar do clima de festa, houve também espaço para reivindicações. Teresa Miranda, ligada ao movimento sindical, aproveitou a ocasião para lembrar que a luta pela igualdade salarial e profissional continua. “Na minha fábrica não há distinção, mas vê-se nas notícias que a mulher ainda é apontada como o ponto mais fraco. Lutamos para que sejamos iguais aos homens. Superiores não digo, mas tem de haver igualdade em tudo“, defendeu.
A noite prosseguiu com grande animação musical a cargo do DJ Filipe Matos, que garantiu que ninguém ficasse sentado. Aquela foi mais uma das várias atividades planeadas pela Comissão de Festas de Santo Ovídio para garantir a viabilidade financeira das festas da freguesia, promovendo, simultaneamente, o espírito de vizinhança e a coesão social entre os habitantes de Avidos.
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