Escrevo-te não uma carta, porque cá por baixo já estamos em molde de enviarmos emails, andarmos a navegar na net e em sites. Não sei o teu contacto, por isso recorro a este tabernáculo – a este espaço, qual templo ou tenda de lamentações – para te deixar as preocupações de todos nós, uns portugueses e outros moçambicanos ou de outras paragens.
Não te quero aborrecer, sabendo que tens mais que fazer do que me aturar ou de ler este meu lamento. Mas perde lá uns minutos, anda lá…
Como te sei guardião dos céus, porque Cristo te deu as chaves desse Reino aí de cima, permite lançar-te uma petição que é escrita por milhões de todos os que acima referi.
Deixa de abrir as portas dos céus porque estamos atolados, inundados, encharcados e feitos pintos por causa de tanta mas tanta chuva. Vê lá se deixas de despejar-nos baldes e baldes de água. Já são m3 a mais… Estás a ser chato. Ou estás a pôr-nos à prova? É que com a água, o fogo e o vento, principalmente, não gostamos de brincar. São forças gigantes que nos reduzem a formigas, a espécimes pequenitos e a gente indefesa. Compreendes isso, com toda a certeza.
Podias, nos próximos tempos, fazer uma trégua para nos arrumarmos, restabelecermos a vida, enxugarmos os pés e os corpos, telharmos as casas que ficaram sem tecto, travar caudais que levam tudo, varrermos as lamas, repormos electricidade e conseguirmos acolher quem ficou sem nada.
Deixa-me provocar-te para ficares a saber que, aqui por baixo, mesmo com tanta água em cima do lombo e continuando a passar por tanta dificuldade, queremos evocar a esperança em dias melhores. Queremos ultrapassar estas turbulências de vida. Por cá dizemos que quando chove é porque decidiste arrumar o céu, procedendo à lavagem do chão. Mas, e desta vez, exageraste na água… Quanto ao barulho dos trovões, há quem diga que estás a arrastar os móveis. E acrescento eu: não sopres tanto, porque produzes muito vento que tem arrasado muita coisa nossa que nos custou sacrifícios e muito trabalho.
Fica o pedido: caro S. Pedro vê lá se trancas as comportas do céu e se não sopras muito. Sei que somos pecadores, mas não merecemos a tua ira, tu que foste um elevado Pastor e um Mestre de Fé, tem piedade de nós. Abraço-te e rogo-te mais compaixão.
Texto: António Barreiros
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