Iniciativa nascida em Sabariz, Vila Verde, cumpre mais de uma década em solo germânico e serve cerca de 1.500 litros de sopa a um público maioritariamente alemão.
A cidade alemã de Düsseldorf acolhe este domingo mais uma edição da festa do “Caldo do Pote”, iniciativa gastronómica que recria no centro da Europa a secular tradição comunitária de Sabariz, no concelho minhoto de Vila Verde. O evento, que mobiliza dez potes de ferro fundido transportados diretamente de Portugal para confeccionar cerca de 1.500 litros de sopa, atrai anualmente centenas de apreciadores, entre emigrantes e cidadãos germânicos rendidos ao conforto da gastronomia minhota.
A preparação da iniciativa arrancou na manhã deste sábado, dia 7, com uma exigente operação logística. Cerca de meia centena de voluntários e cozinheiros — muitos deles viajados expressamente do Minho — trabalham em contrarrelógio no corte de legumes, na cozedura de carnes e enchidos tradicionais e na confeção de milhares de pataniscas de bacalhau. A antecipação de tarefas é essencial, até porque o encerramento do comércio aos domingos na Alemanha não permite improvisações de última hora.
«Começámos em 2014 com uma estrutura pequena, mas a adesão tem vindo a crescer de ano para ano», explica José Esteves, vilaverdense radicado há 35 anos na Alemanha e um dos mentores do projeto, ao lado de Filipe Castelo. O responsável destaca a internacionalização do público: entre 60% e 70% dos comensais são de nacionalidade alemã, registando-se ainda visitas regulares de pessoas oriundas da Bélgica, Holanda e Suíça, algumas das quais percorrem mais de 500 quilómetros para marcar presença. A fórmula de sucesso junta as tigelas fumegantes de caldo minhoto ao habitual Glühwein (vinho quente condimentado), casando a herança portuguesa com o hábito germânico de combater o frio com comida de tacho.
Ao longo de cinco horas de serviço ininterrupto, as bancadas servem receitas como o caldo do lavrador ou o caldo da pedra, cozinhados em recipientes com capacidades entre os 50 e os 150 litros. Entre as especialidades servidas pontua também o caldo de peixe, mantido na ementa como tributo a Armando Cortes, membro fundador do trio organizador já falecido, cuja memória volta a ser homenageada em cada colherada. Com a fasquia colocada em cerca de um milhar de visitantes, a rota do caldo reafirma-se como uma das maiores montras do concelho de Vila Verde além-fronteiras.
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