Alexandrina Maria da Costa, uma filha da terra de Balasar, foi mais uma portuguesa de sangue e de alma cristã que alcançou o tabernáculo de Beata.
A meninice dela esteve enraizada no seio de uma família crente a Deus e, com o pormenor de, como se avalia pela história de Alexandrina, se devotar ao coração de Maria, a mãe do Senhor.
Ela, na sua singeleza e humildade, atribuiu o diminutivo mãezinha para exprimir a forte ligação a Maria Santíssima mas, também, para abordar a sua própria progenitora.
Alexandrina foi, como tantas outras crianças, uma jovem que se dedicou aos campos e à costura, por esse tempo já um pouco distante, sem a pertinência da ida à escola. Só o foi mais tarde.
Demonstrou apego, respeito e fé pela oração, pela Eucaristia e por Maria.
A saúde nunca foi um valioso bem terreno, mas complicou-se quando, como revela a sua história, se atirou de uma janela de 4 metros de altura para escapar a 3 homens que estavam a pretender invadir a sua casa, tentando ameaçar a sua pureza de rapariga.
Essa queda provocou-lhe lesões graves na coluna que a atiraram, depois de algum tempo, para a cama, ficando a viver dessa forma, durante 30 anos, até ao seu falecimento.
O povo começou a atribuir-lhe, depois da morte, curas miraculosas. O título católico já recebido, o de “Beata”, marca o reconhecimento oficial de uma pessoa falecida que se considera – a Igreja – ter partido em estado de santidade e já se encontra no Paraíso, permitindo a sua veneração pública no âmbito local, regional, nacional ou transfronteiriço.
A transladação dos restos mortais de Alexandrina, no passado sábado dia 10 e, no domingo, 11, a Dedicação da Igreja e do Altar do novo Santuário, arrebatou os fiéis de Balasar, os circunvizinhos, os de fora da terra e muitos estrangeiros – ouvi falar espanhol, italiano e inglês, pelo menos – que encheram as ruas, os cantos e os espaços dessa Freguesia.
O povo, o fiel a Alexandrina, o que é devoto dela; o que lhe entrega a vida; o que lhe segreda as angústias, as vicissitudes e os anseios; o que se ajoelha para lhe orar; o que se inclina, perante a sua imagem, para lhe pedir protecção; e o que, em silêncio, cada um na sua interioridade, a convoca para lhe abrir caminhos de felicidade e de luz…peregrinou nesse fim-de-semana, em Balasar, para assistir a esses actos.
Viveram-se momentos de alegria, estampados nos rostos de muitos. Nestes que vimos, umas palavras, em tom baixo, de agradecimento à Beata da terra. Naqueles, os que também presenciámos, umas frases de louvor à mesma filha de Balasar. Em outros, que olhámos sem perturbar, umas lágrimas teimosas de reconhecimento por manifesta ajuda vinda do espírito dessa figura que se pretende seja canonizada.
Quer queiramos ou não…há gente nossa que veio para, com o seu testemunho, entregando-se a Cristo e à fé na sua Doutrina, servir e amar. Alexandrina deixou o rasto da delicadeza da sua vida, apesar do sofrimento de ter ficado acamada. Os milhares de peregrinos que a revisitaram nesses dois dias são o penhor de que os seus actos, atitudes e palavras continuam a ecoar e ressoar no coração dos que a consagram e bendizem. A fé vive-se, o povo demonstra-o…
António Barreiros
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