Segunda sessão da iniciativa decorre no dia 29 no “Espaço Memória” do Crédito Agrícola com a historiadora Teresa Araújo e o arquiteto Noé Diniz.
A identidade, o património e as tradições são os temas centrais da segunda sessão das “Conversas da Famalicidade”, marcada para o próximo dia 29, às 18h00, no “Espaço Memória” da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo do Médio Ave, em Vila Nova de Famalicão. A iniciativa, promovida pela associação local Casa da Memória Viva (CMV), junta a historiadora Teresa Araújo e o arquiteto Noé Diniz num debate aberto ao público para avaliar as consequências do envelhecimento populacional na preservação da herança cultural.
Com o mote “Identidade, Património e Tradições: será que temos alguma fortuna no sótão?”, o encontro coloca em diálogo a investigadora de História Local Teresa Araújo e o arquiteto Noé Diniz — autor de obras de referência no concelho como o Parque da Devesa, o Edifício das Lameiras e a requalificação do antigo Hotel Garantia. A sessão tem entrada livre e reserva um período final para perguntas e intervenções da assistência.
O evento integra um ciclo de dez tertúlias mensais, com termo previsto para julho de 2027, desenhado para discutir os reflexos do declínio demográfico na sociedade. Conforme explica Carlos de Sousa, presidente da CMV, o objetivo passa agora por “aferir dos efeitos do inverno demográfico em que vivem o país e a Europa no património, na identidade e nos hábitos e valores nacionais e comunitários”.
O dirigente alerta para a escassez de recursos técnicos e financeiros nesta área: “A mão-de-obra especializada na área de restauro e preservação de bens culturais não abunda e os orçamentos do Estado e das autarquias para a salvaguarda e preservação patrimonial estão longe de fazer face às necessidades, o que força a sociedade civil a agir”. Carlos de Sousa assinala ainda que o recurso a verbas comunitárias apenas disfarça o défice no financiamento da investigação histórica e na valorização do património imaterial, alertando para os riscos acrescidos que o país enfrenta.
O ciclo foca-se em três eixos prioritários — memória e identidade, demografia e longevidade, e desafios societais e comunidade. A próxima paragem está já agendada para 26 de novembro, às 18h00, no mesmo local, sob o tema “Demências e obesidade: as outras pandemias”.
Criada em maio de 2019, a associação Casa da Memória Viva dedica-se à salvaguarda da memória comunitária famalicense, promovendo a sensibilização pública sobre a prevenção de demências, a capacitação de cuidadores e a valorização do património histórico local.
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