O caso presente e actual de Cristiano Ronaldo deixa transparecer a falta de tacto, de todas as partes – seleccionador, jogador e FPF – perante uma situação que não podia nem devia ter um desfecho tão inesperado quão nada abonatório para todos.
Jorge Jesus não soube – um saloio como ele e pouco dado a saber estar – contornar a situação. Não conseguiu introduzir o diálogo necessário e nem tão pouco foi sagaz.
Cristiano Ronaldo, o homem biliões que, como todos os que têm muito querem – sempre – somar mais e mais, também não soube estar à altura das circunstâncias do caso. Turvou o processo. Devia ter sido racional e mais frio. Deixou-se levar pelo coração…
O presidente da FPF, que até viajou ao encontro dos que se oponham, não se prestou ao papel de ser árbitro na contenda, aliás que a dada altura da sua carreira representou, para promover um encontro de esclarecimento e de harmonia.
O dinheiro, quanto a mim, o que está em cima da mesa de cada uma dessas figuras, a mola real para que o futebol se possa jogar no patamar superior do seu estatuto de desporto já contaminado pelos poderosos e pela “massa”, putrificou o caso e envolveu-o numa polémica desnecessária.
Cristiano Ronaldo não é – temos de convir – um jogador qualquer. Reconhecê-lo é factual. A maioria dos portugueses e de estrangeiros, a nível mundial, sabendo-no um dos mais valiosos e competentes protagonistas do futebol, relevando a sua postura pessoal e profissional. Ronaldo manifesta a sua estatura de homem, de cidadão e de futebolista nos actos, nas atitudes e nas palavras que, ao longo da sua carreira, foi exibindo…e com certa humildade.
A FPF perde milhões de milhões com a sua possível saída. Mas o que fez para assegurar uma qualquer continuidade futura, a do “astro”, na equipa dirigente da Selecção Portuguesa para que a sua presença nas competições, fora dos relvados, fosse um trunfo de acordos ou contractos comerciais?
Jesus, o tal tosco, que fala desmedidamente, come palavras e refila com os jornalistas para se proteger, mandou Ronaldo para o balneário, sem dó nem piedade, numa atitude indecente e de má figurante do futebol.
Um jogador que serviu a Selecção Nacional ou ainda veste a camisola da mesma equipa não é um boneco nem tão-pouco uma bola de trapos que se chute para canto… Cristiano, apesar de o sabermos cansado, não merecia tal tratamento de polé…
Tudo deitado abaixo – honra, palavras de respeito, dignidade e imagem – porque o dinheiro fala mais alto, consegue empobrecer os homens e obrigar responsáveis a não saberem tomar decisões na hora certa…sem emoções e com o coração na boca, numa hora de má prestação humana. O assunto merece reparação e, também, uma reconciliação para a nobreza e dignificação do futebol, um desporto que caiu na lama… Para que esses 3 actores fiquem bem na fotografia.
António Barreiros
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