Sabemos que algumas Instituições e Entidades andam de pernas para o ar e despejam as responsabilidades que deviam ser imputadas às próprias para cima dos outros.
Arranjar bodes expiatórios para actos e atitudes revestidas de pouco cuidado na acção, na linha do abuso de poder e no domínio de negociatas que afrontam a licitude de que se deve revestir um Estado de Direito é, no mínimo, um desvio de comportamento e de missão de serviço público.
Vem isto a propósito do que admitiu, hoje, o Ministério Público sobre o caso, que se arrasta, vai já para mais de 15 anos, de José Sócrates.
O MP veio dizer que esse ex-Primeiro Ministro foi alvo de “assassinato de carácter”. E não está com pergaminhos. Aponta o dedo à comunicação social.
O mesmo MP com esta nota, de todo caricata e absurda, retoma a cena de Pilatos: “daqui lavo as minhas mãos”.
Esse órgão do poder judicial encontrou um subterfúgio para sacudir a água do capote, isto é, esquivar-se de responsabilidades e, também, passar a culpa para terceiros.
Esta forma de agir e de vir a terreiro justificar o que não tem desculpa é caractecrítica de certas corporações que têm poder, que agem em roda livre sem escrutínio e que são, como sabemos, forças que manobram e se passeiam nos corredores atrás dos biombos…
O sistema judicial, cheio de vícios e apoderado por gente esquinada com a vida, com uma preparação direccionada e com gente mal preparada, esconde-se debaixo das suas faltas e das suas falhas para não ficar mal na fotografia.
Neste caso de J. Sócrates a justiça, principalmente o Ministério Público, mostra a sua imbecilidade…a sua falta de senso e a sua incapacidade para bater no peito, em sinal de mea culpa.
O caso Sócrates revela a fraqueza de um órgão de soberania e do seu aparelho mais directo, mostrando: incapacidade de julgar “gente grande”; falta de imparcialidade dos seus membros; e fragilidade de todo o sistema judicial. O País está a bater no fundo…faz tempo que já não acredito numa democracia deste género, fedorenta de Entidades que cospem para o lado e atiram culpas a terceiros para se mostrarem impolutas de críticas e sem manchas salpicantes.
António Barreiros
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