“O Dinheiro Não Estica e a Vida Está Difícil”
O agravamento sucessivo dos preços dos combustíveis, impulsionado pela instabilidade geopolítica entre os EUA e o Irão, está a provocar uma onda de choque na economia local de Vila Nova de Famalicão. Entre o mercado municipal, as feiras e as praças de táxis, o cenário é de desânimo: o poder de compra desapareceu, os custos de produção dispararam e muitos profissionais admitem já trabalhar apenas para a subsistência diária, sem margem para lucro ou investimento.
No Mercado de Famalicão e na feira semanal local, a inflação é o tema de todas as conversas. Comerciantes de produtos frescos relatam uma quebra acentuada no movimento. “O pessoal foge todo para a feira, o mercado está morto“, lamenta uma vendedora de fruta, explicando que a subida do diesel encareceu o transporte dos produtos, mas os clientes, com salários estagnados, não conseguem acompanhar os novos preços.
Para os cidadãos, a estratégia é o racionamento. “É fugir de despesas, fazer a vida o mais económico possível. O dinheiro não estica e as reformas estão muito fracas“, desabafa uma reformada famalicense, sublinhando que o aumento dos combustíveis “reflete-se em tudo” e obriga a deixar produtos nas prateleiras dos supermercados.
Feirantes e Taxas
A situação é agravada por decisões locais. Feirantes queixam-se de que, em pleno pico de inflação, as taxas de ocupação de lugar subiram no início do ano. Embora exista a promessa da autarquia ou das associações de rever aqueles valores no segundo trimestre, o impacto já se faz sentir: “Muitos desistiram porque não podiam pagar. Estamos na linha, isto está por um fio“, afirma um feirante.
O Grito de Alerta dos Taxistas
O setor dos transportes é, talvez, o mais fustigado. Os taxistas de Famalicão dizem-se “esmagados” por uma tripla pressão: o custo do combustível, a manutenção dispendiosa das viaturas e a concorrência, que classificam de desleal, das plataformas TVDE.
José Campinho, taxista na cidade, revela um dado preocupante: “Neste momento, em Famalicão, já há 10 licenças encostadas“. Com tarifas fixas desde 2013, os profissionais não conseguem repercutir os custos no cliente. “O táxi vai acabar por acabar. Quem está no ativo vai andando porque tem outros rendimentos ou a reforma“, vaticina.
Além dos custos, a classe aponta a falta de fiscalização e abusos de preços em grandes centros (como o Aeroporto do Porto) como fatores que degradam a imagem da profissão, pedindo aos clientes que exijam sempre fatura e verifiquem o taxímetro.
Olhar para Espanha como diferença
Comum a todos os testemunhos é a comparação com o país vizinho. Os famalicenses questionam por que razão o governo português não adota medidas de injeção de capital ou redução de impostos semelhantes às de Espanha. “O nosso governo tem de ter em atenção o bem-estar dos portugueses. Estamos a ficar com menos qualidade de vida e está difícil pôr a carne ou o peixe na mesa“, conclui uma residente, sintetizando o sentimento de uma cidade que tenta, a todo o custo, não parar.
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