A política portuguesa é, muitas vezes, fértil em ironias, mas poucas serão tão gritantes como a que assistimos nestas Eleições Presidenciais de 2026. António José Seguro, o homem que o Partido Socialista (PS) — pela mão de António Costa — empurrou para o deserto político em 2014, regressou não apenas para ocupar Belém, mas para dar uma lição de resiliência e independência ao sistema partidário.
A Vitória da Pluripartidaridade
Seguro venceu e venceu de forma inequívoca. Mas engane-se quem quiser pintar esta vitória com as cores de uma única sede partidária. Ao afirmar que a sua eleição é pluripartidária, o novo Presidente da República sublinha o que os votos confirmaram: Seguro conseguiu furar as bolhas ideológicas e reunir consensos que vão muito além do Largo do Rato.
Após dez anos de silêncio e afastamento dos holofotes, o país reencontrou um político que, ironicamente, parece ter beneficiado do tempo que esteve fora. Enquanto o sistema se desgastava em querelas internas, Seguro preservou-se, surgindo agora como o garante da estabilidade que muitos portugueses sentiam faltar.
Após dez anos de silêncio e afastamento dos holofotes, o país reencontrou um político que, ironicamente, parece ter beneficiado do tempo que esteve fora. Enquanto o sistema se desgastava em querelas internas, Seguro preservou-se, surgindo agora como o garante da estabilidade que muitos portugueses sentiam faltar.
A Memória Curta do PS de Carneiro
É quase fascinante observar a agilidade com que o PS de José Luís Carneiro tenta agora “colar-se” ao sucesso de Seguro. Mal os resultados foram confirmados, a máquina socialista apressou-se a reivindicar a vitória como sua, tentando capitalizar o prestígio de um homem que o próprio partido maltratou.
Convém não esquecer — e os portugueses não esqueceram — que Seguro foi humilhado por António Costa num processo de “assalto” à liderança que deixou marcas profundas. Carneiro parece sofrer de uma amnésia conveniente, ignorando que a capacidade de liderança de Seguro foi, em tempos, vista como uma ameaça interna a ser eliminada por quem não suportava sombra.
Será que o PS julga ter legitimidade para se apropriar desta vitória após o ‘cartão vermelho’ que os portugueses lhe passaram nas últimas legislativas?
Convém não esquecer — e os portugueses não esqueceram — que Seguro foi humilhado por António Costa num processo de “assalto” à liderança que deixou marcas profundas. Carneiro parece sofrer de uma amnésia conveniente, ignorando que a capacidade de liderança de Seguro foi, em tempos, vista como uma ameaça interna a ser eliminada por quem não suportava sombra.
Será que o PS julga ter legitimidade para se apropriar desta vitória após o ‘cartão vermelho’ que os portugueses lhe passaram nas últimas legislativas?
O “Cartão Vermelho” e a Nova Era
A tentativa de aproximação do PS soa a desespero. Um partido que ainda tenta curar as feridas de uma derrota legislativa recente não pode, por artes mágicas, tentar vestir o fato de vencedor através de uma candidatura que Seguro fez questão de manter a uma distância higiénica do aparelho partidário.
António José Seguro é o grande vencedor de 2026 porque soube ser maior que o seu antigo partido. A sua eleição não é o triunfo do PS; é o triunfo de uma postura moderada e de um perfil que, mesmo após uma década de ausência, provou que a integridade e a distância do lodo político ainda dão dividendos eleitorais.
Resta saber se, em Belém, Seguro será o “remorso” constante de um PS que o rejeitou ou o Presidente que forçará o sistema a elevar o nível do debate nacional. Para já, a mensagem é clara: o povo escolheu o homem, não a sigla.
António José Seguro é o grande vencedor de 2026 porque soube ser maior que o seu antigo partido. A sua eleição não é o triunfo do PS; é o triunfo de uma postura moderada e de um perfil que, mesmo após uma década de ausência, provou que a integridade e a distância do lodo político ainda dão dividendos eleitorais.
Resta saber se, em Belém, Seguro será o “remorso” constante de um PS que o rejeitou ou o Presidente que forçará o sistema a elevar o nível do debate nacional. Para já, a mensagem é clara: o povo escolheu o homem, não a sigla.
PUBLICIDADE























Comentários sobre o post