A CDU de Vila Nova de Famalicão anunciou o seu voto contra as Grandes Opções do Plano (GOP) e o Orçamento Municipal para 2026. Apesar de o executivo apresentar o documento como “histórico” devido ao valor recorde de 256 milhões de euros, a força política de oposição afirma que o crescimento assenta em fundos europeus temporários e falha em resolver problemas estruturais como a habitação, a mobilidade e as assimetrias entre freguesias.
Passados cerca de cem dias desde as eleições autárquicas, a CDU considera que o novo ciclo político prometido pelo executivo municipal não passou de uma ilusão. Para a coligação, o Orçamento de 2026 não apresenta qualquer alteração estratégica, mantendo as “limitações estruturais de sempre” e priorizando a visibilidade externa em detrimento das funções sociais essenciais.
Um dos pontos centrais da crítica prende-se com a natureza do reforço financeiro do município. A CDU esclarece que o aumento significativo do investimento resulta, em larga medida, do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e de outros fundos comunitários extraordinários. “Não estamos perante um reforço estrutural da capacidade financeira do município, mas apenas perante recursos excecionais e temporários“, alerta aquela força política, questionando o que restará quando estes apoios terminarem.
O partido denuncia a ausência de um programa robusto de habitação pública e acessível, sublinhando que centenas de jovens continuam impossibilitados de viver no concelho devido à especulação imobiliária. A crítica estende-se à mobilidade, com a CDU a apontar a dependência do transporte individual em várias freguesias por falta de alternativas públicas eficazes. No plano ambiental, é lamentada a falta de um plano para a despoluição do Rio Ave, uma “reivindicação histórica” que continua sem resposta.
A CDU aponta ainda um agravamento das desigualdades territoriais, dividindo o concelho entre freguesias “preferidas“, que recebem investimento contínuo, e “preteridas“, que sofrem com a carência de equipamentos e serviços. Segundo a força política, as transferências para as juntas de freguesia permanecem insuficientes para garantir a autonomia do poder local de proximidade.
Pela manutenção de um modelo que privilegia a subcontratação de serviços externos em vez da valorização dos trabalhadores municipais e da justiça fiscal, a CDU confirmou o voto desfavorável. O partido reafirma o compromisso com um caminho alternativo focado no reforço dos serviços públicos e na melhoria concreta da qualidade de vida dos famalicenses, defendendo que o desenvolvimento não se mede apenas por números, mas pelo equilíbrio social e territorial, conclui.
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