Insurjo-me, como o faz Frei Bento Domingues, contra a visão de um Deus castigador.
Esse era o Deus, como ele o diz, mas reforço essa opinião, na minha modesta perspectiva, do meu tempo de catraio, o da catequese da cave da Igreja de S. José, em Coimbra. Ele defende a alegria de Deus. O mesmo dominicano rejeita o catálogo que colamos, amiúdes vezes, de um Deus punitivo.
A minha mãe, na educação que me ofereceu em casa, dizia-me: ”querido filho, Deus é Bom, perdoa e não castiga”. Um dia, vindo da catequese atirei-lhe: ”não quero mais ir à catequese”. Resposta dela: “lá estás tu com a tua irreverência. Mas porquê?”. Argumentei: “lá dizem que ele castiga pelos pecados que cometemos. Tu, dizes-me que ele é bom e não o faz…quero o teu Deus e não o que ensinam”. Agarrou-se a mim e ao ouvido: “vais passar a conhecer esse Deus amor, luz e carinho, aqui em casa…deixa lá a catequese”. Ensinou-me a amar, a viver em paz, em partilhar, em compreender e tolerar os outros, a espalhar alegrias e luz.
Mais tarde, o destino tem dessas coisas, haveria de encontrar o Cónego Urbano Duarte, um intelectual da Diocese de Coimbra, meu mestre de jornalismo e Director do semanário “Correio de Coimbra” que me incutiu um Deus igual ao que a minha saudosa mãe me apresentou: benevolente, misericordioso, amor e perdão.
Estou ao lado do Deus de minha mãe, do Urbano e do Frei Bento Domingues, o que não se deve temer, contrariando o que nos propuseram na infância. Estou com o Deus que carrega a alegria de viver, como a mais relevante proposta, para nos libertarmos e sermos felizes.
Adoro aquela expressão do mesmo dominicano ao revelar que Deus é um “puro mistério” insondável e amoroso…nunca um juíz castigador.
Este ensinamento devia ser renovador para os cristãos e transformador da própria Igreja para que os homens pudessem amar mais e melhor (o seu, os que acreditam) Deus.
Numa altura de tempestades e cheias, transbordando de temores, de provações e de inquietações nada mais adequado que pensarmos que não são flechas de Deus para nos verdascar ou punir, em razão dos nossos pecados. São fúrias da natureza, que ele criou também – é verdade – mas que ele não pode travar para se ir cumprindo o caminho, as voltas da terra, as fases da lua, as marés…para as forças e energias da natureza continuarem os seus ciclos. Para que a Terra continue a girar, a Lua a aparecer, o Sol a aquecer-nos e as marés, contribuindo para o andamento da nossa casa comum, apesar de se ir atrasando com o peso de albufeiras gigantes e não só. Bendito sejas Deus pelo teu Amor, Perdão e Luz.
Texto de: António Barreiros
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