A tempestade Kristin, nomeada pelo IPMA após um processo de ciclogénese explosiva, atingiu Portugal Continental na madrugada de 28 de janeiro, registando rajadas de vento extremas que chegaram aos 175,9 km/h na Base Aérea de Monte Real. O fenómeno, caracterizado por uma “corrente de jato tipo ferrão” (Sting Jet), causou episódios de vento altamente destrutivos num curto espaço de tempo, afetando principalmente as regiões do litoral oeste e o centro do país.
A Kristin formou-se a partir de um núcleo depressionário na periferia da tempestade Joseph. Entre as 21h00 de dia 27 e as 03h00 de dia 28 de janeiro, o sistema sofreu uma queda abrupta da pressão atmosférica — processo conhecido como ciclogénese explosiva — enquanto se deslocava sobre o Atlântico em direção à costa ocidental portuguesa.
O que tornou esta tempestade particularmente perigosa foi a intrusão de ar seco vindo da estratosfera. Este ar, ao interagir com a massa nebulosa da tempestade, provocou a evaporação e o arrefecimento das partículas de água e gelo, tornando-as mais densas. O resultado foi uma aceleração violenta das correntes de ar em direção à superfície, criando o chamado “ferrão” (Sting). Este corredor estreito de vento muito forte é visível através de imagens de satélite e radar, tendo sido o principal responsável pelos danos registados.
Os dados recolhidos pelas estações meteorológicas do IPMA revelam a magnitude do evento. Além do valor extremo em Monte Real (176 km/h), destacam-se as seguintes rajadas:
Cabo Carvoeiro: 149 km/h
Ansião: 146 km/h
Leiria: 142 km/h
Castelo Branco: 137 km/h
Fóia e Cabo da Roca: Acima dos 130 km/h
Embora a tempestade tenha sido breve em muitos locais, a sua intensidade foi severa. Especialistas alertam que, devido à interação do vento com o relevo (orografia), é possível que tenham ocorrido rajadas ainda mais violentas em zonas onde não existem estações de medição oficiais.
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